sábado, 12 de setembro de 2015

Die Blechtrommel - Os sentimentos só fazem sentido nos filmes...





 Os sentimentos só fazem sentido nos filmes...








Die Blechtrommel



Os sentimentos só fazem sentido nos filmes. Na vida real o que chamamos de sentimentos são os véus que cobrem os mais diversos interesses primitivos. Estamos programados desde antes do Big-Bang. Condenados pelo eterno retorno de Nietzsche (Palingenesia). As configurações obedecem as atualizações no mesmo substrato a partir do início do espaço-tempo. As quatro forças do universo agem na matéria que se transforma pelo rio de Heráclito. Uma voz interior socratiana odorizando a enxofre murmura:

"O tambor do anão de Günter Grass esconde um dilema. Como escrever sobre um mundo melhor, mais igualitário, se participei, efetivamente, para construir uma sociedade totalitária e assassina?"

A preocupação de Oskar poderia ser diluída nas janelas das compensações do escritor brasileiro Machado de Assis. Sempre há uma possibilidade de aliviar a pressão que a culpa realiza. Basta abrir uma janela que substitua o fato negativo. Não precisa ser com outro fato, podemos extrair elementos positivos em qualquer situação. Ao contrário da doutrina católica e das maiorias da religiões, que para expiar a culpa pedem a punição ou sacrifício - ou ambos. A janela de compensação seria um prêmio pelo ato culposo. Uma forma de esquecer as "escolhas" difíceis que o homem efetiva. Porém, não temos domínio sobre qualquer fato, apenas organizamos dentro do antropomorfismo chamado espaço-tempo. Esta criação humana só existe dentro do córtex. Nasceu do movimento do substrato herdado do big-bang, mas que é indiferente para o universo. O conceito cultura, que envolve todas as façanhas humanas, da ciência ao mito, do mais rudimentar artefato criado no berço da humanidade ao mais complexo sistema tecnológico desenvolvido, tem o mesmo "sentido". A teia é a cultura dos aracnídeos. O mel é a cultura das abelhas.   A represa é a cultura do castor. Nada do que nomeamos faz sentido para o universo. As palavras, a semântica, a gramática não influem no que chamamos de realidade, apenas nos dão uma sensação de domínio, que efetivamente não nos pertence. Nossas obras são um conjunto vazio. Nossos sentimentos mais nobres são somente os véus que cobrem a dinâmica indefectível do que chamamos espaço-tempo. O ódio e o amor se diferenciam somente nos vazios dos conceitos. Que Oskar rebumbe seu tambor,  que sua voz vitrícida consiga romper os vitrais da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, que os tedescos continuem engolir enguias, que Stephen Hawking elabore mais teorias sobre o universo, mas tudo isso é e será indiferente para o cosmo infinito...








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