segunda-feira, 13 de agosto de 2012

THE END OF HUMANITY - UTOPIA 666







Luzia, reluzia, rebrilhava no horizonte uma majestosa e imponente nave metálica - ainda que poucos raios de sol conseguissem ultrapassar a espessa camada de carbono sedimentada por séculos de atividade econômica - consequência da visão de lucro acima dos valores humanos, do equilíbrio ecológico. A astronave já havia iniciado a contagem regressiva para sua última e derradeira viagem - numa tentativa de preservar a raça humana.






Distando alguns quilômetros, uma turba maltrapilha  - no mais alto grau superlativo... Homens erguendo porretes, claves e trabucos - acompanhados por mulheres com rostos vincados, urrando pelo desespero de seus filhos famélicos - carregando suas proles esfaimadas - tossindo o ar quase irrespirável - completavam a cena dantesca, apocaliptística - uma página terrificante.

                                                            



Tiros...
Zumbidos...
Pedradas e...
Sangue atingiam a couraça metálica que levaria a Elite Econômica  à preservação da humanidade no satélite da terra. A vida no planeta estava insustentável - o calor infernal consumia a biologia. A camada de carbono servia como um cobertor do juízo final à humanidade - não verdejava mais pelos planos inférteis - efeito da insensatez do consumo desenfreado - de uma química agressiva-poluente - da extensão da transgenia em todas as lavouras do planeta. 

    


Os Donos do Capital...
Os mais poderosos listados das publicações  revista Forbes - jogavam todas as suas fichas na Redoma-Darwiniana. Construída na lua - com o intuito de salvar suas peles e um minúsculo grupo de protegidos. Anos e anos os impostos foram sugados para o  Projeto Redoma-Darwiniana. Propagado pela Big Mídia Corporativa Tradicional  - como um beneficio para toda a humanidade. Afirmavam ser a esperança da preservação do Homem - mas os relatórios secretos,  herméticos-científicos apontavam para o final da vida no planeta azul, da extinção da biologia terrestre.
Nem as baratas sobreviveriam...




A horda famélica definitivamente chegara junto a nave. Os propulsores não tinham sido acionados. Uma falange subiu na torre e com um cabo de aço laçou  o diâmetro metálico do bólido:
Machadadas...
Pauladas...
Grunhidos...
Soltaram as presilhas que sustentavam a nave - o cabo foi jogado à súcia enfurecida na base de lançamento.
Foi puxado  com uma força descomunal dos farrapos enfurecidos.
Era a cartase final da população injustiçada e descartada pela elite econômica.



A nave não demorou a se  espatifar no chão de concreto -  riscos elétricos se espraiavam pelo corpo de metal. Faíscas atingiram o combustível - uma língua de fogo se projetou vertical e horizontalmente - propagando o terror em escala exponencial.
Uma explosão fenomenal e inefável dizimou o creme das elites terrestres e a malta escravizada:
Sodomorra & Gomorra. Não sobrando supérstite para olhar atrás.
Aniquilação humana...


                                                                                

REDOMA-DARWINIANA


Lincados na tela que transmitia a cena  de calamidade e a extinção - a fisionomia dos cientistas e toda a população lunar - já transportada para a colonia  - foi de desesperança, de augúrios terrificantes. Os vídeos ficaram cinzas - não havia mais transmissão do holocausto global. Neste momento, os sacerdotes-cientistas trajando capas prateadas com rostos assépticos e sem expressão - convocaram os habitantes da Redoma-Darwiniana para comunicar:
- que diante os acontecimentos não havia mais motivos para viverem.




No templo principal da colonia - filas enormes esperavam os sacerdotes com suas bandejas platinadas - carregadas de capsulas de cianureto. O som de Bach completava  a cena. Os  Sacrificadores-Cientistas - começaram a colocar as pilulas na boca dos habitantes, como na eucaristia e a hóstia. Por fim - colocaram em seus próprios lábios:
A humanidade se extinguiu...
Não haveria mais tempo-espaço...
Não haveria mais metafísica...
Não haveria mais teologia...
Não haveria mais ciência...
Não haveria mais filosofia... 
Não haveria mais antropomorfismo...
Havia chegado o fim da história...






RECICLAR ESPINOSIANO


As leis da natureza em conluio com a matéria primordial - com o bóson de higgs - com as quatro forças do universo - com a matéria e a energia  escura - projetavam, ao acaso - uma nova existência em alguma paragem distante - anos-luz de onde havia terminado o reinado do homem - porém sem a racionalidade - pois a experiência não havia sido satisfatória...




                                                                         



segunda-feira, 4 de junho de 2012

BONNIE AND CLYDE - THE TRUE AMERICAN FREEDOM




Nos meados do século vinte, pelas artérias de piche da America do Norte, a verdadeira liberdade se manifestava nas entranhas sombrias  dos rincões ou na exposição moderna do arranha-céu das cidades eletrificadas. Os cidadãos na sua confortabilidade ignoravam ou torciam o nariz arrebitado, protestante, puritano e branco para Bonnie & Clyde. Os libertários na mais pura concepção do ideal.

A audácia  de liberdade, a coragem de enfrentar o estado, os conservadores, os fundamentalistas religiosos, o governo e as instituições financeiras; com uma mistura de livre iniciativa e contestação ao sistema moedor de carne humana, colocaram em xeque o mega sistema opressor; Bonnie & Clyde se uniram para desafiar um país que começava a ficar preso a regras burocráticas e a um esquema que iniciava  cortar as asas da águia que voa acima dos planos mediocres do conforto e acomodação burgues, que mergulha livre e soberana em direção à batalha pela existência sem concessões as castas feudais e aristocráticas do velho mundo europeu;


Não era mais tempo de desbravar a America, voar rumo aos desafios de outrora e sim usufruir a riqueza acumulada, viver no conforto mesquinho da classe media e hibernar como um urso que acumulou gorduras, que abdicou da caça para ficar confortavelmente numa toca a espera de um clima menos desafiador;

Bonnie & Clide, o destemido casal, cuspiu balas com metralhadoras, acordando o animal que hibernava na tranquilidade de sua caverna; o matracar das armas de fogo causava ojeriza aos protegidos pelo estado e pelo sistema financeiro, talvez os libertários representem os movimentos atuais contra a exploração, a alienação e as falcatruas que os grandes conglomerados transnacionais executam contra a população que vê seus impostos serem devorados pela fraude econômica-financeira;


Colocaram em risco o ícone do capitalismo - os bancos; Bonnie & Clyde distribuíam a riqueza acumulada baseada na exploração do sangue indígena, do sangue negro, dos imigrantes; usaram as mesmas ferramentas que a sociedade americana idolatra, mas que foi congelada nas geleiras de todos os sistemas burocráticos;

Livre-iniciativa, ousadia, rebeldia e coragem, eis o que o casal libertário articulava para obter uma liberdade que justificasse a existência, mesmo sabendo do risco iminente de perda da vida;
os símbolos da grande nação apropriadora estavam ameaçados no seu amago, na sua potente maquina de expropriar almas, de alienar consciências; mas as forças retrogradas não podiam mais adiar a eliminação da ameaça, pois sabiam  que seus antepassados usaram as mesmas ferramentas para desbravarem  e erguer a grande nação do norte;


Os crânios conservadores e fundamentalistas do capitalismo estavam perturbados; urgia imobilizar um grande aparato para deletar Bonnie & Clyde, pois eles evocavam  os primevos homens do oeste com seu impeto de inovação, de aceitar desafios, de se rebelar contra o estado de coisas de uma sociedade que começava a envelhecer como na velha e esclerosada Europa; o exemplo de achar soluções não convencionais para passar obstáculos, eis o perigo que não poderia contaminar a grande classe media adormecida no seu razoável conforto;

Sempre a história é contada pelos vencedores, com mais enfase quando se elimina os adversários; mas essa epopeia inefável iria sobreviver, não pelos escaninhos da história formal, mas sim pela teia popular que ainda conserva a admiração em homens que tentam se desacorrentar das galés que escravizam a existência autêntica; que gosta do espirito audaz, da alma que desbrava e revoluciona, que emerge do sangue polimerado do povo americano; e basta uma nota, uma palavra, uma situação que desperte a ousadia adormecida trancafiada pelo sistema burocrático-financeiro para que  tudo possa ressurgir com todo seu vigor como o movimento OCCUPY de todas as matizes...


O homem tem prazo de validade, tudo é efêmero no universo...  Era apenas mais um dia sem sentido nos fétidos pântanos da America convencional, quando o creme retrógrado da sociedade conspira com o aparelho conservador do estado não se ouve o canto dos pássaros, somente o chocalhar do guizo da serpente viscosa e peçonhenta;



Nas veias da America libertária voavam as águias na sua liberdade incondicional - Bonnie & Clyde - foram crivados de balas numa emboscada digna de terroristas, neste momento a liberdade deu um adeus ao grande irmão do norte, não restava mais esperança - os búfalos foram dizimados, os índios exterminados, os negros aprisionados em fazendas de algodão, em leis discriminatórias; não se tinha mais a liberdade de andar sem documentos costa a costa, sem apólice de seguro, sem passaporte, sem marketing, sem cartão de crédito - o sonho americano se reduziu a papeis-prisões, a grades de procedimentos convencionais e burocráticos que emperra  o espirito empreendedor...

O PAÍS DAS TORTAS DE MAÇÃ NÃO TOLERARIA MAIS A VERDADEIRA LIBERDADE...



 

domingo, 11 de março de 2012

A FRANÇA NÃO É UM PAÍS
SÉRIO

(INVERTENDO DE GAULLE)




Para comprovar o título, em tela, detalharei por itens a matéria, no entanto o estilo informal, quase lógico, deverá prevalecer; também introduzirei um sonho quase real no qual mantive um dialogo com Charles De Gaulle; o velho general:

I) DOS INTELECTUAIS:

 1) Os maiores intelectuais franceses não são franceses ou furtaram as ideias de pensadores de outras nações, ou ainda, nasceram na terra gálica, mas exerceram sua intelectualidade em outro país:


a) Claude Lévis-Strauss - o maior antropólogo do solo normando, construtor do estruturalismo era belga.

b) Albert Camus - um dos grandes escritores franceses existencialistas era argelino;

c) Jean-Jaques Rousseau - filósofo, escritor, um dos pilares intelectuais da revolução francesa, um dos fundadores da esquerda: soberania do povo, vontade geral - nasceu em Genebra;

d) René Descartes - o mais ilustre metafísico, filósofo, matemático; apesar de nascer na terrinha de asterix, sua obra principal foi gerada num quarto com calefação fora da frança; para elaborar todos os seus escritos teve que perambular pela alemanha, holanda, bélgica; morrendo longe de casa nas mãos da rainha estóica Cristina da Suécia;

e) Os existencialistas capitaneados por Jean-Paul Sartre foram até a Alemanha surrupiar Edmund Hurssel e principalmente Martin  Heidegger;

f) Louis Althusser - filósofo e ideólogo marxista que resgatou o sentido econômico-social, original de Marx, espanando o sentido metafísico e psicológico que os gauleses queriam dar, não poderia ser de origem francesa, era argelino;

g) Os novos filósofos como Bernard-Henri Lévy, que era argelino; também  Alain Geismar e correlatos oriundos de maio-68, conseguiram a proeza de se movimentar da extrema esquerda ao conservadorismo-liberal, foram atraídos como mariposas para a luz da sociedade espetáculo, midiática, para a boa vida dos capitalistas e suas benesses; aderiram ao maniqueísmo do bem e do mal, também pudera, estavam domiciliados na pátria da metafísica, da inviabilidade prática das ideias; dizem, que se ouvia nas ruas de paris: - "Estes novo filósofos dão náuseas, a frança perdeu sua alma, sua ocupação é ganhar dinheiro";


h) Beny Levi um dos mais radicais do movimento de maio-68, maoista, usando o pseudônimo de Pierre-victor, judeu de origem egípcia, aproximou-se de Sartre, cego e doente, para dar sustentabilidade ao seu cambio ideológico - Mao substituído por moisés; o existencialista ateu, Sartre, que tentou dar uma versão humanista para o marxismo é cooptado para o talmudismo; não podemos esquecer que Pierre-Victor era intermediário do grupo Baader-Mainhof, grupo de extrema esquerda de luta armada; vejam o que permite a terra do galo, trocar Marx pela bíblia;


II) DA POLÍTICA

Os dois principais movimentos políticos-ideológicos-comportamentais normandos - só aconteceram pela interferência direta dos estrangeiros:

1) A revolução francesa se realizou devido ao exemplo americano: - a guerra da independência, sua constituição democrática, seu ideal de liberdade expresso na carta magna; apesar da ideia de república, democracia, separação dos poderes, uma sociedade sem privilégios mais justa - fervilhar nas cabeças metafisicas francesas, contestadoras, antes da independência norte-americana -  faltou-lhes o essencial: - passar da potência para o ato;





2) Maio de 1968 - o movimento político-estudantil-esquerdista-comportamental mais importante do século vinte, que iria influenciar como um tsunami a cultura ocidental, era liderado por um alemão, Dany Conh-Bendit; porém o mais incrível era o que aconteceu alguns alguns anos após, ou seja, a movimentação de maio-68 esquerdista radical e seus corolários maoista - causa do povo, movimentos sindicais, estudantes radicais - iriam desembocar  nos novos filósofos, um movimento burguês-liberal que negou todas as reivindicações de outrora; aliás nem nisto foram originais ou lideres, mais uma vez copiaram a matriz da prática-econômica americana e seu personagem principal: O Yuppie;











A CATARSE DE:  DE GAULLE

(UM SONHO)


Um fato-sonho incrível aconteceu; o general De Gaulle como um fenômeno inexplicável, como uma holografia do velho se impôs diante de mim; a seguir, vou narrar o acontecimento singular: 





Estavamos numa avenida poluida de porto alegre, sentados junto a um banco para traseuntes, De Gaulle principiou  o dialogo abaixo, no qual desabafa com o estado de coisas em frança e simpaticamente pede desculpas aos brasileiros, invertendo a sua famosa frase "o brasil não é um país serio" para "a frança não é um país serio", segue a tradução:


- Meu caro brésilien;

- Sou todo ouvidos, meu velho general;

-Lutei, relutei, mas não pude mais contestar os fatos, vejamos, a gália hodierna é governada por um pigmeu magiar, um hussardo casado com uma cantora italiana; está certo, já tivemos Napoleão Bonaparte, um anao de origem italiana conduzindo um dos principais processos políticos em frança; também tivemos Mazarino primeiro-ministro, cardeal, diplomata hábil e mestre do rei-sol, igualmen te um italiano; porém uma primeira-dama italiana corneando  o presidente francês de origem húngara, sendo manchete dos tabloides sensacionalistas ingleses, dos insulares de cabeça de batata; desculpe a expressão - YA BEAUCOUP DE MERDE;

-Por favor general, sinta-se a vontade;

-Meu caro brésilien, está certo já tivemos um Pétain, temos os Le Pen, mas pelos menos são franceses da gema; porém, hoje, a ironia da história nos brinda com este pigmeu hussardo com suas leis anti-imigrantes e como não bastasse, em vez de manter a tradição de considerar como inimigos os tedescos, os insulares cabeças de batata; não, escolheu os muçulmanos;

- Meu velho general, que um lencinho para as lágrimas?

-Não é necessário meu caro brésilien, foi só uma particula em suspensão que aderiu ao meu olho;

-Continua minha atenção,  general;

- Veja, meu caro brésilien, o ministro da educação do corno hussardo, tem como principal meta a proibição do uso da burka, uma série de medidas contra a cultura mulçumana; mas nao podemos nos decepcionar, pois o mesmo é oriundo dos novos filosofos;

- Tem certeza meu general que não quer um lencinho?

- Vou aceitar, meu caro brésilein, este cisco é persistente, insiste em fazer meus olhos derramarem líquidos de defesa;

- Continue, general;




- Que saudades quando os burgueses direitistas mandavam prender Sartre e eu respondia: "Voltaire não se pode prender"; tempos difíceis, mas não vou mais te incomodar com minhas lamurias, vou voltar para a minha lápide e genefluxar virado em direção do Brasil e mandarei, para me redimir e expiar, gravar  em meu epitafio a frase que dá o titulo do livro do austriaco-judeu, Stefan Zweig, que viveu em seu país, em letras garrafais: BRASIL,  PAÍS DO FUTURO...