segunda-feira, 15 de abril de 2013

Not Invite Me To Dance. I Am Not Human ...




Sou um sub-sistema de um sistema maior chamado universo. Desconheço qualquer antropomorfismo. Sou apenas influenciado pelas quatro forças que regem o universo, inclusive pelas forças da matéria escura. Sou constituído pelos elementos que compõe o que os humanos chamam de Tabela Periódica e alguns elementos que a ciência no estágio atual não está preparada para entender.




Por meio do acaso vivo no espaço-tempo que atualmente os humanos chamam de Planeta Terra. Não entrarei em cálculos complexos pois não serei entendido. Vou me deter na linguagem coloquial que os humanos se comunicam. Como qualquer sistema tendo para o fim. Quem perceber meu sub-sistema no espaço-tempo   induzirá que sou um homem comum, mas como já expliquei, sou apenas um sub-sistema do sistema universo. Vou colocar minha energia funcional para descrever e esclarecer o que é o antropomorfismo e explicá-lo na forma que acho ideal para o homem, conforme abaixo:



a) Só podemos  considerar racional o homem que admitir que a irracionalidade (quatro forças do universo) é quem dirige o que chamamos de consciência (rede de neurônios) e o complexo biológico chamado corpo humano.


b) O tempo de existência ideal para o habitante do planeta terra é o que chamo de Idade Nitzschiniana - ou simplesmente: Nitzschio - que compreende o período de 56 anos terráqueos (Unidade de Tempo Ideal de Existência Humana). Existir além deste lapso de tempo é um erro, pois o homem perde  toda a sua força de atualização e revolução, tornando-se um inútil para si mesmo.


c) Todo ser humano esconde a ideia inata denominada o filho bastardo de Descartes, que se localiza em uma área do encéfalo que a ciência e a tecnologia atual não são capazes de detectar. Esta área é responsável pela única verdade que o homem pode conhecer e se resume na seguinte frase:
 PENSO, LOGO DESISTO...
Análise:


I) Se Descartes tivesse tomado a consciência desta ideia inata - a humanidade já teria se extinguido. O seu método seria a incerteza de existir e a inutilidade de querer mudar a realidade (atualizando: os Fenômenos), pois ela é imutável em seu movimento e não depende de um deus superior e sim do deus imanente de Espinosa (natureza). Enfim, o Budismo tem razão: - Estamos só enquanto humanos.


II) Os Homens e seus pensamentos e atos são determinados pelo movimento do universo e a única liberdade possível é a consciência do fato que somos pré-determinados pelas quatro forças e as matérias do universo (visível e a escura).




III) Ciência, religião, filosofia e todas as demostrações de antropomorfismos não passam de auto-ajuda de modo inconsciente, para suportar a existência autêntica de Heidegger, ou seja, a consciência do fim inevitável do sub-sistema  chamado homem e sua integração sem consciência ao sistema maior. Sendo os antropomorfismos apenas técnicas de manter oculto, inconsciente a ideia Inata do Filho Bastardo de Descartes que quando revelada, conscientemente, levaria o homem e a humanidade ao fim no espaço curvo de Einstein. 




ANEXO:

 (Este documento foi encontrado em Paris no ano de 1789, escrito por um filho de Descartes não reconhecido oficialmente. Um exame cronológico dá como provável o ano de 1650 para sua confecção, data em que René Descartes morria nos braços da estóica Rainha Cristina da Suécia).


O FILHO BASTARDO DE DESCARTES

(Cartase)

Penso, Logo Desisto...

A garrafa de vinho ainda está na minha frente, apesar de vazia...

Minhas pernas estão cambaleantes... sentiram a densidade do álcool,

A corrente sanguínea deve ter seu método para me deixar tão irracional...

Sou um corcunda imaculado, celibatário pela aparência de quasímodo,

Sou um insone que vivo nas gélidas bulevares de paris..

Estou muito perto da morte...

Minha alma é mortal, não acredito em eternidade...

Não posso dizer que sou ateu, pois corro perigo de ser queimado ou cozido em caldeirão de vinho..

Enfim... 

Penso, logo Desisto...





Epitáfio de Autor Desconhecido Escrito Numa Lápide Nas Brumas da Inglaterra:
   Humanos orgulhai-vos por eu pertencer a vossa raça...


segunda-feira, 1 de abril de 2013

OBSERVATIONS OF SPRING







OBSERVATIONS OF SPRING  








Setembro Abril


I


Os pássaros cantam impunemente e procuram uma parceira sexual. Os feromônios valorizam as cores, os tons  e as plumagens diversas. Mas sempre há o outro lado, felinos e viperinos ficam na espreita dos ninhos das inocentes aves. As flores multicoloridas desabrocham, os insetos entram em plena atividade, polinizam a natureza e posam sobre o esterco mal-cheiroso e dejetos industrializados pela sociedade. Mulheres e homens não fogem a regra, a luminosidade, o perfume primaveril e o clima propício exaltam a sexualidade humana, o "amor"; mas também é verdade que o ódio, os crimes e a discriminação se manterão ou até se agudizarão. Enfim é Primavera...

II



Sentado embaixo de uma macieira com um livro de Bukowski, numa primavera perdida no tempo, tive um insight: "Realmente o Velho Safado está certo em dizer que a primavera era a melhor época para perambular de cidade em cidade e tomar porres homéricos e escrever na ressaca sua prosa escatológica"; depois em mais uma passagem, fui obrigado a concordar novamente com o Bêbado Libertário: "A Democracia Americana (isto serve para qualquer país) é verdadeira, mas nas eleições nos oferecem para escolher duas opções: Merda Quente ou Merda Fria"... contudo não deixemos abater pela política, os bares da América esperam nossas gargantas secas...

III




E a revolução dos anos 60, de maio/68, a paz e amor dos hippies e o modo junkie de viver da geração beat, hipster  não sobreviveram. O mercado se impôs, o capitalismo venceu e o sonho acabou; hoje somos uma mercadoria controlada pelas estatísticas dos sistemas, dos governos... Temos que conviver com Tea party, Com o GOP, com a PIG e retrógrados políticos que usam a religião para oprimir minorias e exaltar seus preconceitos. Os dogmas religiosos habitam a  mente de jovens  republicanos americanos ou tucanos-democratas brasileiros e da periferia partidária adesista que se alimentam do evangelho.... Mas é primavera... Não vou deixar estes pensamentos sombrios e soturnos me contaminar, vou entrar no primeiro bar e comungar com todas as primaveras - sejam árabes, climáticas, musicais ou metafóricas....


IV




Ao que tudo indica era nas primaveras que a velha Europa se livrava dos degradados, dos miseráveis, dos hereges. Simplesmente embarcavam pessoas como sacos de cereais em fedorentos navios na direção do novo continente. Com isso, conseguiram melhorar sua economia, dar mais luxos aos seus reis absolutistas e saquear a América. Os indígenas foram dizimados, assim como os búfalos selvagens. Os rios foram poluídos, florestas devastadas e tudo em nome do progresso e do cristianismo. Para uma exploração mais radical cometeram um crime ainda mais horrendo, foram arrancar os africanos de seu território: - Chicotearam, escravizaram, assassinaram tudo em nome Deus, da evolução, da liberdade... O Velho Continente nos deixou um grande legado de destruição, de intolerância e devastação humana e ecológica. Bem, é primavera, é tempo de viver... vou até o Bar mais próximo...

V







Foi na primavera passada que resolvi pegar a estrada, era um longo caminho rural e por todos os lados plantações de soja, milho e trigo transgênicos:

- Aonde está a primavera?

Nada mais é natural, tudo é gmo/ogm, são derivados de petróleo ou silício. Resolvi então ligar a televisão e achar um antigo filme do Tarzan - para poder reviver verdadeiros tempos primaveris, já que no planeta está difícil de encontrar a natureza natural. Fui para a Internet e consultando o Dr. Google sobre quem era responsável por tanta Artificialidade, Alterações na Natureza? - ele não teve duvida e respondeu:

- São a  Monsanto, as Transnacionais de todas as espécies, a Bayer, as Petroleiras, as grandes redes de Varejo, enfim todos nós que permitimos todo estes descalabros contra o planeta e a humanidade...

Mas, enfim. é primavera....



THE END


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

THE WILD GIRL WITH RASPBERRY LIPS


I




A nota de cinco dólares estava no balcão de formica branca com gotículas de suor da atmosfera. A umidade do ar estava muito alta. Os azulejos holandeses que decoravam e higienizavam o açougue vertiam água condensada abundantemente. Um pacote de carne crua sangrando foi colocada na formica alva. O açougueiro colocou o dinheiro na gaveta da máquina registradora. Depois de se despedir do comerciante de carnes, com um sorriso vampiresco, canino e sinistro, Rasputínio se encaminhou para sua casa. Seus pensamentos eram vermelhos, como a carne que acabara de comprar, mas logo perderam a violência abstrata, seu impeto mercurial se aplacou. Em casa pegou um prato de porcelana branca decorado com flores vermelhas e voluptuosas. Disponibilizou a quantidade de massa sanguínea no recipiente. Ficou algum tempo extasiado observando o rubente carnal.





II
Após o estado de transe começou o ritual da refeição cotidiana. A mesa de mogno envernizada dava suporte a operação gastronômica e a um livro de Bram Stocker (encadernado de forma clássica). Cebola, alho, temperos diversos e sofisticados inciaram o processo. No seu ritual não poderia faltar a ambrosia etílica... Delicadamente, retirou da cristaleira um copo de conhaque digno da estirpe napoleônica. Pisando maviosamente pelos parques da sala - foi até o bar - retirou o Jerez De La Frontera. Inclinando a garrafa verdoenga escura - preencheu um quarto do copo - escorrendo suavemente o líquido sagrado. O nobre fluido foi sorvido de rompante. Uma lágrima escorreu do seu olho sinistro, enquanto destramente terminara o preparo do acepipe.



III


Rasputínio estalou os dedos - tranquilo - pois depois de garantir a elaboração do alimento diário, sentou-se junto a mesa de trabalho, se posicionando em frente ao computador e começou a metralhar os teclados como rotineiramente fazia. Clicou duas vezes o mouse com o cursor na posição de print. O estalar da impressora preencheu o oco sonoro do quarto. O papel em branco estava ganhando letras, virgulas, acentos e outras praxes ortográficos. Em forma de escrita, estava relatado todo seu dia anterior, como de ramerrão fazia... Perambulava pelo centro da cidade e em bairros populares, frequentando butecos barra pesada. Seus dedos dos pés estavam roxos, hematomas, consequência do caminhar de vinte e cinco quilômetros pelas avenidas de palmeiras imperiais, que adejavam galhos aos olhos dos transeuntes e dos universos inimagináveis & equidistantes. No dia anterior, a poesia, o encanto das arecales, havia sido quebrado por sirenes. Viaturas policiais vinham de todos os lados, deixando os caminhantes desnorteados. O aparato estatal-policial hegeliano (no mais alto grau) falhou, os meliantes conseguiram com sucesso surrupiar a Instituição Financeira (o ápice do sistema capitalista).



IV

Depois de atravessar este obstáculo imposto ao status quo financeiro e estatal, penetrou num ambiente opressor, Kafkiniano. Pessoas sem sorrisos na penumbra de um porão - que havia se transformado em um Pub Démodé - bebiam avidamente. Um longo balcão negro com bancos roxos se estendiam quase infinitamente. Rasputínio pediu um conhaque para amenizar a gelada manhã do inverno sulino do extremo sul brasileño. Olhou ao lado e surpreendeu-se. Um sorriso suportado em lábios framboesa. Cabelos pretos escorridos retilíneos davam forma ao rosto livido, estranho, dark. O conhaque escorreu pela garganta, sua retina fotografou a face exótica da garota esdrúxula, mas estranhamente atraente....

Corte no tempo:
V

No exato momento em que relia o relato do seu dia anterior, depois de ter ingerido mais de meia garrafa de Jerez de La Frontera, o som da campainha num estridente zunido o fez jogar a folha de ofício para o ar. Antes de se levantar colocou um punhado da carne crua na boca e foi até a porta, ainda mastigando a matéria cruenta - abriu a porta.


De forma alienígena, assomada a soleira, a garota do pub se materializou na sua frente. Seu rosto descolorido, anti sanguíneo  contrastava com a roupa de couro preta. Os olhos negros e o sorriso framboesa hipnotizaram Rasputínio. As unhas azuis, longas dos dedos longilíneos o impulsionaram para o interior da casa. Sem nada dizer a visitante se serviu do conhaque e o sorveu divinamente, molhando seus lábios sex appeal. Num ato contínuo jogou a garrafa de Jerez de La Fronteira contra a parede e levou o anfitrião para a cama. As unhas felinas turquesas dilaceravam o dorso de R. que sangrava em sulcos e despertava a ancestralidade dos feromônios no seu estado selvagem. Uma dor e excitação benigna, um prazer animalesco se apoderaram do corpo de Rasputínio (Prazer & dor a essência humana), mas o êxtase extremo e primitivo o levaram a desfalecer, a evanescer sua consciência sobre os lençóis de cetim manchados de feromônios, sangue, virtualidade & quetais... Com a pele empastada do sistema circulatório e a líbido extenuada - R. se levantou. Sua cabeça era lancinada por raios impetuosos  de dor. Aspirinas foram ingeridas. Seus olhos perquiridores procuravam a garota do pub -  Sem sucesso. Um risco tênue rúbeo se estendia... Seguiu até o jardim a pista. Uma roseira de caule negro, avivada havia aparecido como um passe de mágica. Uma rosa branquíssima no ápice da planta o fez reviver a experiência orgástica da Wild Girl...










EPILOGO


Rasputínio em vão passou frequentar diariamente o pub démodé com a esperança de reencontrar a garota dos lábios framboesa. Com passar do tempo se introverteu, passou a consumir avidamente conhaque. Não tinha mais tesão pela existência. Seu único momento de prazer era quando sua memória já cambaleante conseguia resgatar a imagem da Raspberry Lips. Definhou na mesma proporção que aumentava o álcool no seu sangue, até o dia que foi encontrado morto junto a roseira negra de pétalas brancas. Com o dorso e o pulso furados pelos espinhos longilíneos negros e fatais, seu corpo foi retirado do local pela polícia. No entanto, morrera com um sorriso eterno nos seus lábios brônzeos....





quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

WHAT IS MAXIKOANS? - PART 1







MAXIKOANS - Linguagens estruturais-

sintéticas-analíticas que usam o método de

introduzir o kaos no pensamento para que

o ser se revele; é uma construção evolutiva 

e incansável a partir do farejamento pré-

socrático, assim como fizeram Nietzsche e Heidegger; buscar as 

andanças de dionísio do oriente a Grécia, seu séquito de bacantes, 

os êxtases, a força da natureza; ter um olhar atento ao que disseram 

os filósofos-físicos que antecederam Sócrates, os inventores do 

átomo, da lógica, do ser, enfim, da filosofia; lá está a essência, o 

busílis intacto, não alienado, livre de todo encantamento que irá 

acontecer no decorrer da história; ali temos o rio de Heráclito 

impoluto, de águas límpidas que pode matar nossa sede de um 

conhecimento mais autentico, lá de certa forma ainda está travada a 

dialética, mas o combustível já está movimentando o motor da tese 

e anti tese, lá começamos o olhar MAXIKOANIANO, mas nada 

impede que estendamos nosso olfato perquiridor a Índia, a China, 

ao oriente dos mistérios que certamente forneceu  muita matéria 

para os pré-socráticos...



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ZINGUIST - THE BEGGAR










Porto Alegre - Zinguist , mendigo, 17:00 horas, cinquenta centavos, um litro de cachaça ingerido, sem esperança, procurando abrigo, seis graus centigrados, roupas maltrapilhas, um saco de lixo com vestimentas surradas, um par de tênis furado, dois SDR, milhões de bactérias, olhos de sangue...

Chegando no albergue municipal. Tentando uma vaga entre milhares que esperavam do lado de fora. Cabelos empastados de óleo, secretado do seu cranio azeitado, que se enroscavam na sua barba semestral-grisalha. Seu corpo exalava um odor acre. Sua senha fora sorteada, era uma vaga para cada dez. Houve um pequeno tumulto no protesto dos que foram eliminados na roda da fortuna....

Despediu-se dos dois companheiros de caminhadas - que se tornaram sua família ao longo do tempo de infortúnio compartilhado. Os S.D.R. ficaram olhando o amigo entrar pela porta. Os olhos de Z. lacrimejaram, pois não gostava de ficar longe de seu núcleo familiar. Uma toalha já desgastada o recepcionou. O banho foi frio, gélido, mas era essa a regra para a estadia no albergue. Sentou-se junto a mesa e saboreou o sopão servido quente, fumegando legumes no qual se destacava o repolho. O colchão o esperava para uma noite de sono que há muito tempo não dispunha. O cobertor aliado ao alimento fez sua endotermia subir alguns graus, proporcionando um pouco de conforto na derme, nas veias, no sangue, nas vísceras, chegando até os ossos....

A confortabilidade não durou muito tempo, sua maior glândula acusava a abstinência alcoólica. O figado protestava aquele lapso sóbrio, de beatices antietílicas. Não queria saber das normas rígidas do abrigo, leis eram para os fracos, os resignados, os medíocres - que se conformam com a volúpia freada. Era uma luta desigual, Zinguist sofria as estocadas, os jabs, a potente direita e o direto de esquerda. Sua glândula batia impiedosamente como ele fosse um sparring sem aparelhos de proteção. Z. virava-se para esquerda, para direita, suava sangue, líquido amarelo, sua saliva misturava-se a uma água ácida fazendo um fluxo na boca junto com os dentes podres. Enfim o nocaute:



-"ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ....



A noite passou. Seis horas. O bulício dos carros, dos ônibus entravam pela frágil estrutura do abrigo; o guarda municipal trinou o apito de som agudo que penetrava na alma cansada de Z. O café preto nas canecas de louças lascadas exalavam o vapor, pães dormidos estavam de prontidão ao lado. Foi tudo muito rápido, o café e o pão tiraram o fel que havia corrido no leito de sua boca durante a noite. Pegou o saco de lixo, colocou nas costas e atravessou a grande porta de ferro que o separava da liberdade. Estava muito frio, colocou a mão no saco e tirou uma boina com o rosto de Che Guevara, resto de uma utopia que alguém jogara no lixo.

Seus amigos vieram correndo, sacudindo a cauda. Novamente a família estava reunida. Z. seguiu o itinerário de rotina a procura de latas de refrigerantes e cervejas. Como um automato catava os vasilhames de alumínio e os amassava com os pés e ensacava. Os S.D.R.s farejavam migalhas, restos de comidas nos cruéis contêineres que impossibilitavam a sua retirada, porém tinham a ajuda de Z. que os abria e jogava as sobras dos moradores nos bairros nobres. A manhã de inverno e nevoa havia transcorrido. Z. contabilizou o produto de seu labor. Seus lábios escamados sorriram timidamente, mas satisfeitos, já havia o suficiente para comprar um pão e uma garrafa de cachaça.

A tarde já havia adentrado em mais um dia de niilismo. Nada podia demover as engrenagens do destino. Z. era filho de pais desconhecidos; passara a maior parte de seus trinta anos em abrigos e reformatórios de menores. Foi nestes lugares que ganhou o diploma de homem de rua, após longo anos de surras e castigos. Mais latas de alumínio, mais verbas, mais cachaça e assim terminou o dia. Bebeu demais - duas garrafas da água de consolo que o levaram para uma praça no centro da cidade. O inverno-noite veio com mais rigor que a noite passada. Z. se enrolou em plásticos e jornal, deitou sob a marquise da casa de manutenção da praça.



O HOMEM IMOLADO





Passava das vinte e três horas, quando um transeunte viu uma chama no interior da praça. Correu até o fogo. Deu um grito de horror, viu Z. ardendo em labaredas. Tentou  controlar a situação, mas já era tarde. Não teve outra escolha senão chamar a polícia. Depois de duas horas ela  chegou. O policial sacudiu a cabeça e falou para o transeunte:  

 - Só esta semana já foi o terceiro caso. Este não teve sorte. Olhe as garrafas PET perto do corpo queimado, provavelmente elas continham gasolina. 

No dia seguinte o rabecão do Instituto Medico Legal levou o corpo.
Os formulários foram atestados, as formalidades preenchidas e então o corpo foi levado para ser enterrado na vala comum do cemitério municipal.






ATESTADO DE ÓBITO





         REPUBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

COMARCA DA CAPITAL

CARTÓRIO DE REGISTRO CIVIL

Zelite Burou Crátic
ESCRIVÃO DO REGISTRO DE PESSOAS NATURAIS


CERTIDÃO DE ÓBITO

DISTRITO CENTRAL

MUNICÍPIO E COMARCA DE PORTO ALEGRE - RS


Certifica que no Livro, 666, folhas 2012, aos vinte e dois dia do mês de outubro do ano 2012, encontra-se lavrado o assento de Zinguist Beggar, falecido em 20 de outubro do ano de 2012, do sexo masculino, de cor parda, profissão não possuía; natural do Estado do Rio Grande do Sul, cidade Porto Alegre, estado civil solteiro, pais desconhecidos, declarante a Prefeitura de Porto Alegre, atestando o óbito firmado pelo juiz Escol da Gema que deu como Causa Mortis queimaduras de terceiro grau em mais de noventa por cento do corpo. O sepultamento ocorreu 21 de outubro de 2012  no cemitério para indigentes.

OBS: O morto não deixa filhos e desconhece-se  qualquer vinculo familiar, a não ser dois S.D.R. que o acompanharam até a entrada do Cemitérios dos Indigente.

Não deixa bens a inventariar, pois tudo o que possuía era seu corpo e milhões de bactérias e vírus que conviviam harmonicamente  na sua biologia.

Extraímos a referida certidão e damos fé.

Juiz Escol da Gema


sexta-feira, 7 de setembro de 2012

GOD - TRIED. CONVICTED. GUILLOTINED.












CÁLICE CARNIL REVERBERA À LUZ DO SOL,

NO HORIZONTE NUVENS E TEMPESTADES...

CHEGOU A HORA DO JULGAMENTO DE DEUS:

ANIMAIS E HUMANOS - REGOZIJAM DIANTE O 

OPRESSOR



OCEANOS ESCUMAM FÚRIA INDOMÁVEL,

CICLONES E CICLOPES REVOLVEM SEUS CORPOS,

NUM INDÔMITO FREMIR DA NATUREZA:

ESTÁS CONDENADO ANTES DE SER JULGADO...

TREMEI TIRANO...



CORAIS DE ANJOS SÃO VARRIDOS  DOS CAMPOS ETÉREOS...

A ABOBADA AZUL FERVE SANGUÍNEA,

OGIVAS E MINARETES DESPENCAM NOS PLANOS...

CRENTES E BEATOS ARDEM INSANOS.


CRIATURAS SE LIBERTAM DA MORAL E DA CONSCIÊNCIA,

A FRUTA ESTÁ NOVAMENTE AO ALCANCE...

A SUPRESSÃO DA RELIGIÃO,

A SENDA DO ÉDEN...


ESPERMAS, FEROMÔNIOS E CÓPULAS...

VIBRAM A LIBERDADE DOS ELEMENTOS PRIMÁRIOS,

SERPENTES E HOMENS CONLUIAM SEM CULPA:

NOS TABLADOS DO PARAÍSO:




DEUS DECAPITADO





TRANSLATION:



 Flesh colored chalice reverberates in sunlight
Clouds and storms in the horizon
The trial of God is at hand
Animals and humans rejoice facing the oppressor
Oceans foam with indomitable fury
Cyclones and Cyclops twist their bodies
In an untamed trembling of nature
Thou art found guilty before thine trial
Tremble, tirant...
The choir of angels is swept from the ethereal fields
The blue vaulted ceiling boils in the color of blood
Warheads and minarets plummet onto the planes
The blessed and the believers burn in insanity
Creatures liberated from moral and consciousness
The fruit is once again within reach
Suppression of religion
The paths of Eden
Sperm, pheromones and copulation
Throb in freedom of primal elements
Serpents and men collude with no guilt
On the platforms of Heaven:
God beheaded



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

THE END OF HUMANITY - UTOPIA 666







Luzia, reluzia, rebrilhava no horizonte uma majestosa e imponente nave metálica - ainda que poucos raios de sol conseguissem ultrapassar a espessa camada de carbono sedimentada por séculos de atividade econômica - consequência da visão de lucro acima dos valores humanos, do equilíbrio ecológico. A astronave já havia iniciado a contagem regressiva para sua última e derradeira viagem - numa tentativa de preservar a raça humana.






Distando alguns quilômetros, uma turba maltrapilha  - no mais alto grau superlativo... Homens erguendo porretes, claves e trabucos - acompanhados por mulheres com rostos vincados, urrando pelo desespero de seus filhos famélicos - carregando suas proles esfaimadas - tossindo o ar quase irrespirável - completavam a cena dantesca, apocaliptística - uma página terrificante.

                                                            



Tiros...
Zumbidos...
Pedradas e...
Sangue atingiam a couraça metálica que levaria a Elite Econômica  à preservação da humanidade no satélite da terra. A vida no planeta estava insustentável - o calor infernal consumia a biologia. A camada de carbono servia como um cobertor do juízo final à humanidade - não verdejava mais pelos planos inférteis - efeito da insensatez do consumo desenfreado - de uma química agressiva-poluente - da extensão da transgenia em todas as lavouras do planeta. 

    


Os Donos do Capital...
Os mais poderosos listados das publicações  revista Forbes - jogavam todas as suas fichas na Redoma-Darwiniana. Construída na lua - com o intuito de salvar suas peles e um minúsculo grupo de protegidos. Anos e anos os impostos foram sugados para o  Projeto Redoma-Darwiniana. Propagado pela Big Mídia Corporativa Tradicional  - como um beneficio para toda a humanidade. Afirmavam ser a esperança da preservação do Homem - mas os relatórios secretos,  herméticos-científicos apontavam para o final da vida no planeta azul, da extinção da biologia terrestre.
Nem as baratas sobreviveriam...




A horda famélica definitivamente chegara junto a nave. Os propulsores não tinham sido acionados. Uma falange subiu na torre e com um cabo de aço laçou  o diâmetro metálico do bólido:
Machadadas...
Pauladas...
Grunhidos...
Soltaram as presilhas que sustentavam a nave - o cabo foi jogado à súcia enfurecida na base de lançamento.
Foi puxado  com uma força descomunal dos farrapos enfurecidos.
Era a cartase final da população injustiçada e descartada pela elite econômica.



A nave não demorou a se  espatifar no chão de concreto -  riscos elétricos se espraiavam pelo corpo de metal. Faíscas atingiram o combustível - uma língua de fogo se projetou vertical e horizontalmente - propagando o terror em escala exponencial.
Uma explosão fenomenal e inefável dizimou o creme das elites terrestres e a malta escravizada:
Sodomorra & Gomorra. Não sobrando supérstite para olhar atrás.
Aniquilação humana...


                                                                                

REDOMA-DARWINIANA


Lincados na tela que transmitia a cena  de calamidade e a extinção - a fisionomia dos cientistas e toda a população lunar - já transportada para a colonia  - foi de desesperança, de augúrios terrificantes. Os vídeos ficaram cinzas - não havia mais transmissão do holocausto global. Neste momento, os sacerdotes-cientistas trajando capas prateadas com rostos assépticos e sem expressão - convocaram os habitantes da Redoma-Darwiniana para comunicar:
- que diante os acontecimentos não havia mais motivos para viverem.




No templo principal da colonia - filas enormes esperavam os sacerdotes com suas bandejas platinadas - carregadas de capsulas de cianureto. O som de Bach completava  a cena. Os  Sacrificadores-Cientistas - começaram a colocar as pilulas na boca dos habitantes, como na eucaristia e a hóstia. Por fim - colocaram em seus próprios lábios:
A humanidade se extinguiu...
Não haveria mais tempo-espaço...
Não haveria mais metafísica...
Não haveria mais teologia...
Não haveria mais ciência...
Não haveria mais filosofia... 
Não haveria mais antropomorfismo...
Havia chegado o fim da história...






RECICLAR ESPINOSIANO


As leis da natureza em conluio com a matéria primordial - com o bóson de higgs - com as quatro forças do universo - com a matéria e a energia  escura - projetavam, ao acaso - uma nova existência em alguma paragem distante - anos-luz de onde havia terminado o reinado do homem - porém sem a racionalidade - pois a experiência não havia sido satisfatória...