sábado, 12 de outubro de 2013

Maxikoan - Epadu Quântico




EPADU QUÂNTICO



Tempestades elétricas povoam a rede neuronial; os fluxos elétricos encandeiam explosões de pensamentos acúleos e clareadores no fundo do abismo mais desesperador e trevático, mas sempre a dicotomia do falso e do verdadeiro prevalece, apesar da luz, da razão. A realidade é sempre uma duvida, que me perdoe Descartes. Sua certeza veio da duvida, então o pressuposto não poderia implicar numa certeza, claro, falando de geometria e lógica. Então, venham para o mundo cruel, venham para o moinho de carnes humanas, este é o convite que faço a todos éticos, lógicos e moralistas de plantão, pois fora dos esquemas, dos sistemas e equações o sangue pulsa, se derrama na terra fértil das injustiças, aonde os teólogos e seus asseclas não ousam pisar.


O piloto fantasma do corpo, o Eu (consciência) de Descartes, do Espirito Cristão, há muito abandonou a nau dos insensatos, a nau dos aflitos nos infinitos vales de lagrimas, do sofredor de todas gólgotas, das lustrações da alma humana. Na superfície do oceano racional a nau está prestes a mergulhar em águas profundas, onde a razão é serva das realidades primitivas, dos instintos que conservam a vida. Ratos e motineiros se agarram a fragmentos cartesianos, kantianos, no dever ser, nas éticas múltiplas, enquanto Nietzsche martela com seu malho dionísico. 
Homens ao mar, S.O.S., os fracos emitem gritos desesperançados como crianças longe do seio materno, mas o mais terrível ainda está porvir. Ao longe, além do zênite, onde nenhum olhar alcança, vozes tonitroantes fazem chegar aos ouvidos humanos, gelando os temerosos, os religiosos, os moralistas:

- Deus está morto. A irracionalidade tem suas razões...




Toda a calmaria esconde seu potencial de tempestades, aliás toda calmaria está ligada por uma tempestade. O fluir são elos que se completam numa corrente infinita, numa incompreensão circular. A duvida e a certeza são circularidades, são faces da mesma moeda, que joga aleatoriamente diante os olhos incautos humanos. O destino convida o homem para dançar sua música, seus passos pré-determinados que lhe dão impressão de conhecimento, de previsão. Sócrates cunhou sua única frase que condiz com a realidade, depois de ouvir do irracional, das cavernas sulfurosas, da garganta do Oraculo de Delfos: 

- "Você é o homem mais sábio de Atenas"

Depois de muito pensar, depois de muita maiêutica conseguiu sintetizar o mundo dos homens numa frase: 

- "Eu que sei que nada sei"


O destino humano foi traçado há 15 bilhões de anos, quando do Big-Bang. As quatro forças dos universo e a matéria forjaram, no núcleo super aquecido das primeiras estrelas - o carbono - o responsável pela vida. Nada do que acontece atualmente no cosmo, no infinito, na consciência do homem, que não foi programado dentro da infinita densidade antes da explosão. Parece histriônico os homens acreditarem em livre-arbítrio, em planejamentos, em adivinhar o futuro, mesmo por meio da ciência. A ciência é filha direta do mito; o espaço-tempo é a régua que mede o antropomorfismo. Einstein só elaborou a teoria da relatividade (especial e Geral) devido o tempo-espaço percorrido pelo conjunto da humanidade. Hegel tinha razão quando dizia que a dialéctica é   "a marcha e o ritmo das próprias coisas", porém ao homem cabe somente interpretar o passado, mesmo que em acessos de "racionalidade" tenha a impressão que tem o domínio do porvir. A única ciência que está a disposição do ser humano é a hermeneutica para nos livrar do niilismo, do sem sentido que é a existência...






THE END



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