sábado, 1 de março de 2014

Muros na Crimeia... Muros na Venezuela...



Tropas na Crimeia...  Barricadas na Venezuela...




Muros de Berlim... 

Muros na Crimeia, Muros na Venezuela

Muros na Ucrânia, Muros de Israel

Muros em Fukushima

Muros de Trump


Muros são erguidos com 

vidas & almas...



Os Muros:

Precisam do medo do oprimido

Para acimentar a ideologia opressora...

Tijolo por tijolo

 Os Senhores da Guerra oferecem  seus produtos...

Corpo sobre corpo

Para  expandir oleodutos...

O sangue breu das engrenagens estará garantido...




A colheita está pronta

A política é a do mais forte

do Poder Econômico e conchavos...

Crianças morrerão de fome

Entrementes ao caviar de Davos...




O G-7 erguerá as taças

O mundo mais uma vez foi dividido...

Montem nos seus puros sangues, dirijam suas Ferraris, 

Lamborghinis & Porshes...

O genocídio está liberado...

Bolsonaro in Brasil - Nazismo & Fascismo

Príncipe das Astúrias mate mais um elefante... 

Obama escute mais uma conversa...

Putin prenda mais um ativista...

Cameron sacuda o rabinho para América...

Theresa May beije a mão sanguinolenta de Washington...



As Setes Irmãs podem continuar com seu jogo sujo...

Não há mais limites

Nem paradoxos...

Os muros foram construídos

A velha ordem está de volta... 

Príncipe Charles Crie mais uma ONG...



As Florestas incendeiam

Com a cobiça alheia...

Minerais, vegetais ou mesmo animais...

Vidas humanas não tem a menor importância

A Economia precisa se mover...

Nem que para isso povos sejam dizimados...



Ajoelhem-se diante dos poderosos

Beijem a mão do papa

Ouçam a moral dos seus rabinos

Sigam seus pastores,

ou simplesmente:

A manada com medo de ratos...

O estouro da Boiada...





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Olivetti lettera 32 - A Sobrevivente do Kaos





Olivetti lettera 32 - A Sobrevivente do Kaos











Uma tarde esturricante na capital mais austral do Brasil. O ventilador joga um ar quente, enquanto bato freneticamente nas Teclas da velha Olivetti lettera 32 - uma sobrevivente das guerras que travei como soldado da escrita e alcoólatra. O velho rádio AM espalha  música erudita - sintonizado na estação da universidade. Felinos saem e entram pela janela do sótão alugado. Uma espelunca simpática, empoeirada, num bairro esquecido, onde árvores centenárias jogam seus galhos cansados ​​em todas as direções. Neste lugar calmo, bucólico e parado no tempo - consigo esquecer os fracassos e jogar palavras no papel em branco. Apesar de ter nascido nesta cidade me sinto um estranho no meio do ar reacionário e discriminatório que domina a parte chamada nobre, que recebe todos os investimento de infra-estrutura, gerado pelo suado imposto das classes menos favorecidas. 


Abro uma lata de biscoitos finos e pego minha identidade e o restante do dinheiro que sobrou do pagamento do aluguel. Coloco minha camisa puída com estigmas do tempo  e a  calça de brim surrada. Cansei de escrever e ler filosofia - vou tomar cerveja... As paredes descascadas e sujas simbolizam a degradação dos habitués do bar periférico. Peço uma cerveja ao bodegueiro. Entre goles - presto atenção nos frequentadores - quem sabe não surja um personagem para um futuro conto.  O assunto entre os frequentadores não poderia ser outro -  futebol. A alienação está impregnada na cabeça da população sulina - Futebol e o Mito do Gaúcho  e a Infame Revolução Farroupilha.  Resolvi não falar nem escrever mais sobre isso, não que tenha medo de ameaças  que recebi, mas é inútil. Não tenho como competir com  os meios de comunicações que  vomitam a  voz do poder e alienação  24 Horas por dia e defendem políticos que abraçam sua Ideologia. Fazem da população um rebanho imitador  e servil que se alimenta dos clichés produzidos pelas corporações econômicas do sul. A refrigeração não é  satisfatória, oferta uma cerveja morna. Resolvi pedir uma garrafa de vodka e gelo no porta-cerveja.  






Paguei o bodegueiro e sai. Olho uma figueira encravada no centro da praça. Sentei em um banco e discretamente comecei a bebericar a vodkca com gelo. Alguns transeuntes olham com ar de reprovação. Estava no centro de uma diminuta comunidade - todos se conheciam e sabiam sobre a vida de todos.  Olhavam-me como uma fruta podre  no cesto de maçãs saudáveis.  Já tinha sido interpelado varias vezes pela polícia comunitária, apesar de ter só alguns meses de domicílio na localidade. Todas vezes perguntavam:  
- Escrever é Profissão?

 - Bem...  Sei que  não é ilegal.  E me pagam para fazer isso.

Depois de algum tempo substituíram a pergunta por um conselho impositivo, agora dizem:


- Não saia da linha... Estamos de olho em você... 


De alguma forma a Comunidade me absorveu. Usavam-me como um paradigma negativo.  Certamente, diziam para seus filhos: "Está vendo aquele vadio magérrimo que passa o dia inteiro lendo, escrevendo e bebendo. Nunca fale com ele, um dia ainda vai morrer atropelado por estar bêbado".  De certa forma tinha orgulho da má fama, a reputação - apesar de negativa, trazia respeito e distância do rebanho servil. Também dava inspiração para preencher o papel em branco de prontidão na Lettera 32. Na realidade, estava satisfeito na pequena localidade que destoava da metrópole. Sentia-me um libertário bêbado, uma usina de escrever que gerava e captava matéria-prima.  Já podia ler minha futura biografia, post-mortem, neste lapso de tempo singelo:



"O mais maldito de todos os escritores da metrópole gaúcha passou alguns anos escondido numa pequena comunidade de Porto Alegre - perdida no tempo. Lá escreveu alguns capítulos de sua obra, entre bebedeiras incomensuráveis e o idílio bucólico da mata atlântica. O povoado apesar de pacato e provinciano, de um certo modo - o acolheu. Com efeito, houve uma especie de simbiose, os habitantes toleravam seus porres, loucuras e solidão, pois tinham a pré-monição que no futuro ele teria sucesso e seus livros certamente iriam se referir a aquele pedaço de terra desengrenado da cronologia do progresso."







sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Rodoviário


O RODOVIÁRIO



José Acorda. Olha o relógio no criado mudo: 4:00 AM. Na sua cabeça ainda ecoa os tiros da guerra de disputa dos pontos do tráfico na vila. Não tem muito tempo para pensar. Toca suavemente na sua esposa gravida de 7 meses. Tem um longo dia de trabalho pela frente - dirigir intensamente sob o sol escaldante do verão porto alegrense. Antes, porém, vai deixar Maria no Posto de Saúde há alguns quilômetros de distância. Amargam trinta minutos na parada. Embarcam no ônibus. Cumprimenta o colega que faz sua primeira viagem em direção ao centro histórico da cidade - um projeto do atual governo municipal que junto com a especulação imobiliária expulsa as classes de baixa renda para os confins sem estrutura.  





No Posto de Saúde - uma longa fila desafia sua paciência. A realidade é dura. Maria diz para José não se preocupar:

-Vai ficar tudo bem. Pode ir trabalhar. Cuido do nosso filhinho...

José contrariado e humilhado pelos serviços deficientes de saúde respira fundo e espera mais uma vez o ônibus diante um poste que sinaliza a parada de ônibus. Embarca num coletivo. A preocupação com Maria vai dividir seus pensamentos com o estado de greve que a  assembleia da categoria dos rodoviários declarou. Senta junto ao cobrador:

- Pois é velho tá difícil trabalhar com este calor...

- Pois é José. Estes veículos sem manutenção, sem ar-condicionado e nossa carga horária é para deixar qualquer um doente.

- Sabe... Minha esposa está grávida, acabei de deixa-la no Posto de Saúde. Nosso Plano Médico da Empresa não cobre o minimo...

- Pior ainda - nosso Vale Refeição. Não compra nem mais o leite das crianças.

- Vai na assembleia na noite?

- Vou José. Nunca gostei de parar, mas a situação é crítica. O salário não dá mais para viver.

- Também mudei de opinião, depois de saber que os patrões financiam as campanhas dos políticos para aumentar o valor da passagem e nos pagar esta miséria. 

- A Comissão de Greve disse que as empresas de ônibus também financiam os programas dos  meios de comunicações. Deve ser por isso que eles estão sempre contra nós.


José chegou na garagem da empresa. Colocou o crachá na camisa azul. Seu supervisor lhe chamou:

- José... Preciso que tu toque mais 4 horas hoje. O Pedro está com os rins lhe arrancando suspiros de dor. Está sentado esperando atendimento no setor de urgência do hospital - desde ontem a noite.

- Já sei... Minhas horas-extras vão para o banco de horas. Até hoje não consegui compensar nenhuma.

- Não gosto disto também, mas tenho família, tenho que me sujeitar.

6:30 AM - José dá a partida no ônibus. Já dos primeiros passageiros ouve as reclamações que junto com o transito caótico vai lhe deixar estressado:

- Moço... Estou meia-hora na parada. Como demora...

E assim transcorre o dia... Finalmente chega a hora de recolher o veiculo. Na garagem se une aos companheiros que pronunciam:

- Chega de Exploração. 

- Queremos Salário.

- O Trabalhador Unido Jamais Será Vencido...

A assembleia decide pela greve. Os meios de comunicações corporativos imediatamente começam a guerra de versões espúrias para enfraquecer o movimento. Os patrões são recebidos pela prefeitura nos gabinetes com ar-condicionado e água mineral gelada. Nos corredores se ouvem gargalhadas animadas. O movimento pró-greve  marcha pelas ruas da capital gaucha. José nutre a esperança ao lado dos companheiros por dias melhores. Eles são trabalhadores que batalham e não tem medo de adversidades. Maria está em seus pensamentos, enquanto palavras de ordens ecoam pelas ruas...





A luta é grande mas a vitoria é certa....






Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Art. 9º É assegurado o direito de greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender.

§ 1º - A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.

§ 2º - Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Kairós Kαιρός - A Eternidade do Pensamento



Kairós  Kαιρός 

A Eternidade do Pensamento

Finalmente - Sentei. Um dia cansativo por não ter feito nada. É verdade que tivesse feito algo, também seria um dia inútil e cansativo, com o agravante de ter modificado alguma coisa de concreto que me rodeia. 

A garrafa não está vazia... 

Tenho Algo a fazer...



A medida que o homem foi se desvinculando da natureza, sua capacidade de agir com o próprio corpo foi se tornando escassa. Por meio da inteligência desenvolveu ferramentas que lhe poupam trabalho, inclusive fabricando alimentos mais caloríficos que lhe dá mais autonomia de tempo entre uma refeição e outra. Possibilitando a dedicação a arte e técnica, pois abreviou ações vitais que antes ocupavam quase todo seu tempo vígil. Tudo flui, Panta Rei, já disse Heráclito - Observando a natureza.



Não quero a volta a caverna, mas também não quero me tornar silício e sangue sintético ou palavras e corrente elétrica... Porque só compreendemos o sentido da vida quando estamos prestes a morrer? Não importa a idade, a morte nos move, tanto quanto a adrenalina. Os dedos na terra é fundamental para podermos ser, ser no sentido filosófico, ontológico. Não adianta ficarmos a existência encima de teclas e celulose; precisamos as experiências da vida para depois descrever, metodizar.





A rotina alcoólica e a física quântica permitiu enxergar coisas que os sóbrios ignoram. Algumas vezes, mesmo de forma inconsciente, consegui chegar a singularidade de Deleuze. Ver que tudo que existe tem a mesma base material e é movido pelas quatros forças que fazem o deus de Nietzsche dançar. A diferença veio com a alcoolemia crítica e o estudo de física de Newton. Relembro uma vez que disse a um filosofo acadêmico que minha mente era selvagem. Conseguia pensar selvagemente Kant, Descartes e todos os racionalistas. Ele respondeu autoritariamente:

-Você quer pensar? Então, entre na academia e faça filosofia, não se pode pensar selvagemente...





Então, lembrei-me de Meinong - o filosofo que acreditava que os objetos não existentes fora dos conceitos - que não encontram realidade - devem existir em algum lugar do universo. Um unicórnio deve existir em algum lugar do infinito universo, algo muito parecido com os multi universos da Teoria das Cordas. Alexius Meinong foi classificado por Bertrand Russel como a mente selvagem. O alcoolismo me liberou do que Deleuze chamava de ‘burocratismo fundamental’ que habita as universidades, que tenta formalizar o rio de Heráclito, que tenta estancar a imaginação. A eternidade do pensamento deve existir dentro da Teoria das Cordas que prevê a existência de 11 dimensões e universos paralelos, além de conciliar a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade e explica tudo no universo. As palavras que escrevo estão a procura de sentido. Jogo-as ao vento na esperança de que achem sua semântica. Algo parecido com as flamulas budistas adejando, espalhando com o vento seus versos de sabedoria pela natureza. 





Pela força dessa farta doação,
Que eu me torne um Buda para o benefício dos seres vivos;
E, por minha generosidade, liberte
Todos os que não foram libertados pelos Budas anteriores.
Geshe Kelsang Gyatso






segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Confeitaria Paraísos Artificiais







Confeitaria Paraísos Artificiais 





Os confeitos de haxixe decoravam a camada alva de açúcar do doce branquíssimo, belo e sedutor como o nariz de Cleópatra. O glacê de açúcar, suco de limão e clara de ovos ornamentava a forma meia-esfera. O doce era feérico e por trás do vidro diáfano atraia a atenção de forma carismática, parecendo ter vida própria. No balcão de lanches fumegavam taças de porcelana branca. Pareciam pequenos navios a vapor sendo bebericados por titãs de terno e gravata, em intervalos regulares, preenchidos por colóquios dos mais diversos teores. Agora tinha virado paixão irrefreável, encantamento. Solicitei a balconista de avental verde:

- Por favor, gostaria daquele doce alvo como a neve eterna do Everest. 

Em segundos, estava com o manjar envolvido em guardanapos. Os lábios úmidos derretiam a camada doce e absorviam os pedacinhos de haxixe. Ao sair da confeitaria o neon do letreiro fez atentar para o nome da casa de doces:

Paraísos Artificiais



Uma pessoa parecidíssima com Charles Baudelaire, pelo menos com as fotos de sua biografia, estava encostada na parede amarela do prédio da esquina. O amarelo rebrilhava em função da incidência das luzes de sódio que invadiam a noite. A esquina era simpática, porém tinha um ar de decadência, de sonho americano perdido:

- Psiu...  Você poderia me dar um pedaço deste hidromel sólido?

Já havia comido a metade do doce alvíssimo com confeites de haxixe. Reparei no traje uma característica dos poetas do século XIX, em frança. Com todo respeito e escrúpulo perguntei:

- Você é um mendigo?

- Não Monsieur ... Sou apenas um revolucionário da poesia, deslocado no tempo cronológico. Não me leve a mal, senti saudades dos doces de antanho confeitados com haxixe.


Mentalmente evoquei Les Poètes maudits: Rimbaud, Verlaine, Baudelaire, Antonin Artaud... Fiz mais... Voltei a confeitaria Paraíso Artificiais e comprei mais meia duzia dos doces alvíssimos e uma garrafa de vinho involucrada em um saco de papel reciclável. Convidei "Baudelaire" para sentar no banco verde da praça. Postes estilos londrinos iluminavam árvores de origens desconhecidas. Comemos alguns doces e demos alguns goles no vinho. Meu companheiro de viagem apontou o dedo para flores de aspectos malignos. Nas pétalas podíamos ver rostos diabólicos com expressões terríveis. Por momentos senti um calor subir pelas pernas e queimar meu cérebro. Olhei para o lado e vi Baudelaire transfigurar o rosto - uma expressão demoníaca se apossou de sua face. Joguei os doces e o vinho para o alto e corri sem olhar para trás.



Quando parei de correr já estava na avenida iluminada. Os faróis dos automóveis se decompunham em cores que penetravam e atravessavam meu corpo. Ao longe vi um vulto estranho, parecido com Baudelaire. Não tive dúvida, comecei a correr. Chocava-me com pessoas nas calçadas. Quando me dei conta, estava diante uma igreja. Algumas pessoas vestidas de um branco puríssimo na porta central do templo faziam sinais com a mão. Acenavam para mim ir até elas. Fui carregado por esses anjos humanos até o altar. O Bispo aspergiu água benta no meu corpo, levantou um crucifixo de prata e pronunciou:



Exorcizo te, omnis spiritus immunde, in nomine Dei (X)
Patris omnipotentis, et in noimine Jesu (X) Christi Filii ejus, Domini et Judicis nostri, et in virtute Spiritus (X)
Sancti, ut descedas ab hoc plasmate Dei (name),
quod Dominus noster ad templum sanctum suum vocare dignatus est, ut fiat templum
Dei vivi, et Spiritus Sanctus habitet in eo.
Per eumdem Christum Dominum nostrum, qui venturus est judicare vivos et mortuos, et saeculum per ignem.





segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Mat's Homens - Hamburguer de Deus




Mat's Homens - Hamburguer de Deus







No horizonte, na linha reta da estrada víamos uma torre brilhar intensamente. O Sol refletia um imenso ícone de alumínio - simbolizando a grandiosidade do engenho humano. Chegamos no portal da cidade, um  ingente arco de aço e concreto, que no alto estampava três palavras em vermelho sanguíneo:

Hambúrguer, Progresso & Deus


Estávamos atrasados. Participaríamos da licitação para aquisição de gigantescos moedores de carne. Paramos o carro na cancela. Logo vieram dois homens indumentados com macacões vermelho e amarelo. Fomos identificados e autorizados a prosseguir em direção a única empresa da cidade. Chegamos ao prédio imponente da estatal de hambúrguer e sua imensa e complexa estrutura metálica que roçava o cerúleo. Fomos recebidos de forma simpática pelos executivos da industria. Informaram que eramos os únicos  a participar do concurso de aquisição das máquinas. Sentamos em cadeiras confortáveis e apresentamos nosso orçamento. O responsável pelas compras abriu o envelope e sorriu positivamente. Entre cafés e conversas animadas - os funcionários nos comunicaram que estava fechado o negócio. Encerrado as formalidades da aquisição dos moedores de carne, fizemos uma visita pelas instalações da fábrica de hambúrguer. Olhamos por uma grande janela de vidro  e vimos  engrenagens, máquinas funcionando, sob o comando da sala de controle. Toda a linha de produção era robotizada e ordenada por meio de computadores. Um cano de aço inoxidável espirrava carne moída. A cor era de um vermelho diferente da carne bovina. Perguntamos ao diretor de produção qual o motivo daquela tonalidade. Ele alegou que era devido ao tempero:



- Esse é o motivo do sucesso da estatal em ser líder imbatível na área de hambúrguer. O condimento é o segredo, assim como a coca-cola tem sua formula hermeticamente guardada, temos a nossa. 


Não tivemos acesso  apenas as divisões da câmara frigorifica - que guardava a matéria-prima  e condimentação, pois segundo os funcionários ali estava o Know-How, o busílis do sucesso.







Fomos convidados para o happy-hour . O sol já não iluminava totalmente a torre, o entardecer já se fazia presente. Comemos os deliciosos hambúrgueres acompanhados de cerveja belga. A maioria dos servidores eram simpáticos e solícitos. Conversamos sobre banalidades e demos boas risadas. Porém a noite se aproximava e tínhamos um longo caminho a percorrer para casa. Estávamos felizes, ganharíamos uma excelente comissão pela venda. Levamos  caixas térmicas com hambúrgueres e cervejas para a viagem de volta. Resolvemos beber logo que saímos da Estatal e sua imensa torre de alumínio, observamos um gigante prédio cinza sem janelas, que  tinha passado desapercebido. Exercitamos nossa imaginação para saber qual a funcionalidade de tal construção.





A velocidade nos afastava da cidade dos hambúrgueres. Na realidade, se resumia a grande torre metálica, alguns imponentes prédios governamentais e uma vila que servia de moradia aos funcionários. Diferentemente da nossa vinda, havia um carregado trafego de ônibus robustos com as janelas gradeadas em direção a fábrica. Lembrou-nos veículos que transportam  presos. Outro mistério que não conseguimos desvendar. Paramos para urinar, ouvíamos gritos desesperadores junto com os motores que cortavam o asfalto em direção a industria. Deliberamos encostados no automóvel e com as mãos portando cervejas. Estaríamos delirando ou eram realmente gritos humanos.  Nossa curiosidade etílica ativou nossa coragem.  Nada justificava aqueles veículos com centenas, milhares de pessoas. Tudo era automatizado, não havia mais que duzentos funcionários, não precisavam de mais mão-de-obra:


- Porque aquelas pessoas gritando desesperadamente dentro dos veículos em direção a estatal?







Esperamos a noite se asseverar e o fluxo na rodovia zerar. Iniciamos o caminho da nossa investigação. Descemos um quilometro antes do pórtico para não sermos notados pelos guardas. Conseguimos abrir a porta principal com uma gazua eletrônica universal, que nos daria acesso  a todas instalações. Entramos numa sala enorme - o show-room - uma parede aproximadamente de  cinquenta metros era ocupada por moderníssimos freezeres com vidros diáfanos,  expondo os diversos tipos de hambúrgueres e seus variegados temperos. Passamos o show room e entramos num corredor extenso que não tínhamos  estado durante a visita. Havia varias portas de metais reluzentes, apesar da pouca iluminação. Na primeira porta uma placa na parte superior, acima da trave, dizia:  Condenados por Assassinato. Na segunda porta outra placa com os dizeres: Condenados por Subversão. Na terceira: Indigentes. Na quarta: Revolucionários...  E assim foram se sucedendo as portas e suas placas pelo enorme corredor. A gazua digital descodificou a criptografia de uma das portas.  Vimos uma esteira com mais de vinte metros se estender até um funil, que na sua parte mais estreita caberiam dois homens com folga. Sua extremidade apontava para a entrada do moedor de carne e suas lâminas extremamente afiadas de inoxidável. Abrimos mais quatro portas e todas tinham o mesmo equipamento.  Perdemos a noção do tempo, olhamos para o relógio e a madrugada já dava sinais de cansaço. Zarpamos da fabrica. Não queríamos acreditar no que tínhamos presenciado. Chegamos ao carro e partimos em alta velocidade. Fizemos um juramento -não comentaríamos o que vimos com ninguém.   Foi uma espécie de juramento de sangue entre adultos. Não presenciamos nem um crime. Os indícios não provam nada, além disso iriamos receber uma polpuda comissão. Certamente se tratava de uma nova escola de administração, algo tipo Silicon Valley, que usava o humor negro para descontrair os funcionários altamente capacitados.






Semanas depois, estávamos reunidos na sala de vendas e marketing da nossa empresa. Como de costume os jornais estampavam suas matérias sensacionalistas. Porém nos chamou a atenção as manchetes que estampavam na capa:

          GOVERNO CONSEGUIU RESOLVER SUPER LOTAÇÃO DOS PRESÍDIOS.

PARTIDO DO GOVERNO ELIMINOU A POBREZA NO PAÍS.

PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO ACABARAM COM O ANALFABETISMO, A FOME & MORADORES DE RUA.


Uma sensação estranha tomou conta de nossas mentes. Como explicar aquelas manchetes. A economia continuava igual ou pior ao governo anterior. Não havia nem um plano de distribuição de renda. Os investimentos em educação e controle de natalidade eram inexistentes. Simplesmente nos olhamos e em uníssono gritamos e vomitamos:


Mat's Homens - Hamburguer de Deus


          






segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

The Elephant Man


The Elephant Man




O Homem Elefante caminha com suas patas pesadas sem estética - a procura de uma estética. Anda por bosques perfeitamente simétricos e observa as oposições equânimes da natureza. Por instantes a pureza do belo  invade os sentidos. Sente uma teoria do gosto superior. Uma sinestesia  preenche o cérebro, as cores, as formas e o silêncio, que se associam num unívoco prazer. Alguns ruídos suspendem o êxtase. Viandantes perdidos em suas próprias vidas - ignoram a contemplação mítica do Homem Elefante. Resignado pela quebra do supra embevecimento se põe em movimento. Carrega um grande fardo, seu próprio corpo, um peso incomensurável. Abandona o bosque em direção ao urbano. Suas imensas patas afundam terrivelmente nos pântanos da impossibilidade da transcendência estética.



O Homem Elefante é incansável. Continua sua busca infinita pela estética total e superior, mas também tem o desejo de solucionar todos os problemas humanos. Seu fundamento, seu lastro é o próprio corpo deformado pela alta densidade, pelo seu corpo anti-estético, pelo seu corpo adiposo a procura de uma estética. Sua manada o abandonou, a caterva humana também - e só continua sua intensa perquirição pela estética da estética - o sumo da estética. Sua existência se aprofundou pelos abismos das rejeições, pelos tsunamis psicológicos, pela procura inútil. O último sonho foi indecifrável, nem um Super Jung conseguiria fazer qualquer associação. No ciclo R.E.M. sonhou que estava de escafandro primitivo - descendo a Fossa Oceânica Abismal de Mariana. Ao chegar na imensa profundidade, sob pressão que nem um humano poderia resistir, encontrou caixas perdidas pelos corsários - cheios de botelhas de rum. Consumiu uma quantidade inumana da bebida dos piratas. Seu corpo se transformou numa criatura achatada, como as dos habitantes destes abismos marítimos. 



O Homem Elefante faz poesias para sublimar a pesada realidade. A poesia o faz sentir como uma pena no ar tépido de verão flutuando numa sala de opio chinesa. A metáfora leva sua forma deformada a paraísos artificiais de Charles Baudelaire, mas a realidade é sempre lúgubre. A cada instante de sua consciência vê funerais passar diante seus olhos que buscam a transmutação.  Nem mesmo o clima dos velórios são capazes de entender sua eterna tristeza por conviver em meio a homens, que não  compreendem, que o condenam por sua anti-estética. O rigor do inverno logo chegará, o Homem Elefante precisa de calor, de uma fogueira na caverna de ermitão. Os parasitas do seu corpo precisam de calor para não devorarem sua carne. Sua tromba espirra lagrimas na sua via crucis, assim como Cristo na cruz faz a pergunta mais cruel que um ser pode ouvir:

- Pai!??? Pai?!!! Por que me abandonastes?!!!


O entardecer toca seus dedos na noite. O Homem Elefante cansou de sua procura. Jurou para si mesmo que não mais vai sair de sua caverna de amônia e morcegos. Ali se sente protegido, é como estivesse no ventre materno - em posição fetal. Seu espirito sutil terá mais tempo para compor poemas, versos. Não precisará mais olhar as guilhotinas decapitar cabeças sem estéticas. O que procurava está dentro de seu corpo deformado. A irremediável solidão lhe dará forças, o isolamento o poupará da ignorância estética dos homens comuns. Sua existência começa a fazer sentido no mais terrível solipsismo que um homem já enfrentou. Enfim, o Homem Elefante transcendeu sem transcender...








terça-feira, 31 de dezembro de 2013

LOBO DA TÂSMANIA - Thylacinus Cynocephalus & o Demônio Humano: Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do homem" & de Todo Planeta..






LOBO DA TÂSMANIA

  Thylacinus Cynocephalus

&

O DEMONIO HUMANO






O vídeo  acima traz a reflexão sobre a desesperança estampada no último ser de uma espécie, que foi  dizimada pelo maior e mais terrível  destruidor do Planeta.  Não que a evolução seja  maligna em si mesma, porém o lobo ou tigre da tasmânia viu o predador mais implacável do planeta bater na sua porta. O bípede implume que Platão chama de racional, traz consigo um rastro de terror e destruição aos que compartilham o mesmo planeta.  A evolução do homo sapiens deu-lhe ferramentas além de suas necessidades de ser, possibilitou a devastação na terra.  A ganância do ter, da propriedade, do possuir - acumulando objetos além de suas necessidades, consequentemente, privando outrem.




Vejo a coisa-em-si se manifestando no fenômeno do último ser da espécie Thylacinus cynocephalus.  O tigre da Tasmânia em sua forma prestes a se extinguir diante de um invasor e opressor  sanguinário. O Lobo Marsupial abre sua alma para ecoar pela eternidade das devastações humanas.  O tribunal dos colonos advindo das longínquas terras da rainha não demorou a dar seu veredicto, condenou o lobo da Austrália Insular, baseado na ignorância e na avidez de lucrar do capitalismo a vapor. É o mesmo espirito que dizimou as populações indígenas, os búfalos na América, que colocou crianças a trabalhar por mais de doze horas nas suas fabricas de moer carne humana.

 

A foto impressiona, expressa o animal encurralado, angustiado, subordinado aos caprichos do invasor que imputou a culpa sem direito a defesa. Na retina da vitima está impresso o matar pelo matar do invasor, a diversão de caçar como faziam com as raposas na Ilha da Honrosa Rainha. Nos cérebros humanos há lógica, justificativas para depredar, para abater por abater. Pensam: "Se encarceramos o nosso próximo, se matamos a nós próprios para conseguir mais riquezas, usufruir de mais conforto; nós que somos superiores, atestados pelo livro sagrado, então,  outros seres inferiores são apenas detalhes da nossa escalada ao poder". Nada é empecilho para a filosofia de acumular riquezas. Animais serão dizimados. Especies serão extintas e até mesmo o  melhor amigo poderá ser traído para que objetivos sejam alcançados. 


 


Thomas Hobbes:

 "O homem é o lobo do homem"




  






segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Vaticano, Física Quântica, Arte & Barbáries




Vaticano, Física Quântica, Arte & Barbáries



O sol vermelho com suas tempestades ao amanhecer pede poesia dentro do meu córtex. Não consigo mais ver a beleza nas coisas que tem um fundo igual, ao perceber a transparência com uma mente livre. Elas somente se diferenciam no antropomorfismo, nos valores que os mais fortes dão para que seus sistemas funcionem. Olhamos as belas obras da igreja católica, todo seus adornos de ouro, a indumentária do sacristão, nos coloridos dos bispos e do vestuário sumptuoso  do papa. Vemos coloridos, pompa e luxo. Nossos olhos se maravilham com artistas como Da Vinci, Rafael, Miguel Ângelo, Bernini & tantos outros que espalharam as genialidades sobre/sob o estado católico. Se ficássemos presos a esta faceta cultural-artística-religiosa,  poderíamos nos orgulhar da essência humana.



O problema começa quando ao redor deste núcleo de ouro, a arte e orações surgem Torquemadas. Fazendo fogueiras de homens, fervendo em óleo os hereges, torturando dissidentes da santa doutrina cristã. Iniciam-se.  Cruzadas em nome da religião, mas o que está por trás dos "santos" cavaleiros - Escondem-se a ideologia das pilhagens. Invasões de países, intolerância e assassinatos em massa... Atualmente o sangue foi estancado, de vez em quando pinga dos interesses econômicos do vaticano, mas a pedofilia encontra abrigo sob o simbolo da cruz & Papas entram & Papas saem e os discursos se tornam inócuos quando confrontados com a realidade.



Quanta barbárie, quantas injustiças em toda parte - guerras, fomes, opressão. O belo, o sublime, o horripilante são formados pelas mesmas sub-partículas físicas, movimentadas pelas quatros forças do universo. Fico pensando no ser que não encontro na ontologia de Heidegger, na filosofia grega, em especial no imóvel ser de Parmênides ou no Panta Rei de Heráclito, mas sinto uma estranha sensação de preenchimento quando o álcool lentamente invade meu corpo e se manifesta concordino com minhas visões de William Blacker. Claro que minhas alucinações reais não tem deuses nem seres míticos. Contudo se manifestam nos entes da física quântica, seres matemáticos, lógicos que encontram realidade exata nas sinapses da minha mente - mente no sentido darwiniano - sinto que a transformação da minha energia consciente está chegando ao fim. & como Epicuro não estou preocupado com thanatos, pois quando ele está eu já não mais estarei e isto me é indiferente....


 

O sol se levantou mais uma vez, contrariando Hume, se levantou mais cedo e bordou de rosa o horizonte, a matéria escura. Ela ocupa uma parte do meu pensamento, entrementes, Neil Young com sua Cinnamon Guirl ecoa no computador. A cabeça gira após doses cavalares de vodca na madrugada, mas nada de novo no front, sempre condenado por ser humano e La Nave Va de Felinni e a Nau dos Desesperados me deixa numa ilha para respirar a solitária solidão... Sou um naufrago, mais um idiota separado da multidão de imbecis, melhor seria ter nascido ou evoluído no espaço-tempo como uma pedra sem valor....






LA NAVE VA




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Suicidal Tendencies - Tudo Terá Um Fim





Suicidal Tendencies


Tudo Terá Um Fim









A cama estava quente e confortável. Um ponche de lã batida cor de café com leite com listras em zigue-zague, cinzas e vinho, junto com um edredom roxo aqueciam Ziembiksh. O agradável calor, o conforto térmico possibilitado no quarto, contrastando com o intenso frio que emanava do polo sul, não demoveram o instinto suicida de Z.  Na quietude gélida e escura do inverno de junho os termômetros cravavam temperaturas negativas, mostrando o rigor do inverno sulino. Z. levantou sem fazer ruido ou acender a luz e começou a executar seu plano, seu projeto de autodestruição. Providenciou uma escada de corda, comprada numa ferragem decadente de um amigo zen-budista. Prendeu-a de forma eficiente e jogou pela janela do sobrado, dando partida,  iniciando o planejamento minucioso. 










Abriu e fechou as mãos sucessivamente até que o sangue congelado começasse a circular. As lajes de grés rosas com finas camadas de gelos não incomodavam Z. Seu corpo nu desafiava o clima severo.   O deserto invernal foi sendo rasgado na madrugada soturna. A rua arborizada da infância foi ficando para trás, assim como as lembranças dos jogos, das brincadeiras, dos cinamomos e suas bolinhas que possibilitaram velhas batalhas entre os garotos do bairro. A ideia fixa no suicídio foi deletando a memória agradável, as boas lembranças  e justificando cada passo em direção ao fim. 

Z. sentia-se excluído do processo social, sofrera por longo tempo bullings. Por ser muito tímido, aceitava sem resistir as agressões verbais e físicas. Seu winchester biológico através da timeline armazenava os fatos negativos e deletava as informações de bem estar. Ziembiksh se transformara numa máquina de auto-destruição, estava programado para o suicídio.










A Via Crucis foi sendo percorrida. Z. sabia que não podia voltar atrás. A balança da existência pendia de forma inextrincável para o final.  Faltava pouco para se livrar da penitência que era sua vida. Não tinha nenhuma ilusão quanto alguma transcedência. Um pensamento monocórdio  recocheteava na caixa craniana: "Nascemos sós, morreremos sós...". Ziembiksh era uma mistura de zen-budismo com marxismo-lenilista. A universidade lhe deu a posição politica radical de esquerda. Usava a ideologia marxista como  uma espada para esgrimar com as injustiças do mundo. O zen-budismo lhe chegou junto com a paixão por Aymee, uma francesa que conhecera no primeiro Foro Mundial Social em Porto Alegre. Foi feliz por quatros anos. Incensos, viagens ao templo budista de Três Coroas. Alimentação vegetariana, uma existência frugal, mas uma overdose de heroína roubou-lhe a felicidade para sempre. Aymee experimentou pela primeira vez a droga - não resistiu. Seu corpo quase transparente, frágil não suportou a busca de uma nova experiência. 










Os passos continuaram em direção ao rio. Uma parada planejada. Pegou a corda que guardara no dia anterior nos arbustos, que antecediam a margem da água doce. O vento dilacerava a carne, mas nada o faria desistir. Na margem - amarrou uma ponta do nylon no pescoço e outra num pedaço de concreto. Segurou os vinte quilos de cimento e andou até a beira do canal com vinte metros de profundidade. Não havia mais nada a fazer, senão jogar o concreto em direção a profundidade das águas frias e escuras... Era o deadline para acabar com o inferno de sua vida.... Arremessou a massa informe de concreto para a profundidade do canal, mergulhando para a insignificância que todo ser humano está condenado, desde quando emerge do ventre e emite o primeiro vagido...