segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Maxikoan - The Sermon of the Abyss




The Sermon of The AByss







Estou sempre incoativo. Uma incoatividade sistemática; é o padrão de uma passividade consciente, que sabe, que traduz a palingenesia, o eterno retorno de Nietzsche. Sinto o sabor do gerúndio em cada passo futuro que sempre deságua no passado. Sinto o desejo racionalizado ou a sabedoria do amplo fluxo da existência que não pode se desvincular da pré-determinação, da natureza que os gregos chamavam de Phisys. Na realidade, a Phisys Grega exercida pelos que a filosofia chama de pré-socráticos - nos revela uma profundidade no conteúdo conceitual gerado pelo epifenômeno que se aproxima muito do Ser. O Ser dos sentidos, das percepções, da linguagem adaptada a realidade. Os neurônios neste modelo estão configurados com as forças do universo, da matéria formando uma sintonia fina com córtex.



O paradigma da Phisys Grega, apesar de seus vários conceitos e diferentes interpretações, mantém o fundamento que se abre para o homem moderno - para ciência atual. De Tales de Mileto (Água) a Demócrito (átomos) há a unidade, o modelo que busca fechar o sistema a partir de um principio, num pressuposto que vai redundar na teoria, na busca da verdade, mesmo que seja infinita. Aqui começa o perigo da totalidade, de fechar universos específicos, ampliando para uma explicação holística. Esta ideia da formula total foi transposta perigosamente para as ciências sociais. No Século XIX  Auguste Comte iniciou com a sociologia a transposição das leis  científicas da natureza à sociedade humana, ocasionando uma matematização da humanidade no seu Positivismo.




A Direita e a Esquerda no século vinte usaram o estado como a racionalidade mais acabada, o ápice do espirito, como escrevera Hegel - o coletivo sufocando o individuo. O controle total do homem pela repressão tem a origem na tentativa de totalização da sociedade e do mundo pela Republica de Platão e  da Racionalidade Hegeliana, que provocaram as grandes guerras e uma tensão permanente no século XX. Nestas filosofias há uma justificação de uma sociedade de classes, de estamentos, sem mobilidade social ou a extinção de patamares sociais, herdadas da revolução industrial, da maquinação social, da divisão do trabalho; diferente das Utopias da renascença, que ofereciam um mundo mais generoso, mais edulcorado ao ser humano. 





No Século XXI chegamos ao controle total dos cidadãos do mundo. A Rede Mundial de Computadores (WEB) possui todos os dados de cada unidade humana.  Ao mesmo tempo que se abre como um espaço democrático, há nos obscuros escaninhos dos Governos Globalizados um gerenciamento da existência de cada individuo conectado na rede. As recentes revelações de Edward Snowden publicadas por Greenwald nos mostram este aspecto.  Não estamos sós, cada pensamento, cada expressão deste exercício neuronial é monitorado, vigiado e reprimido e estimulado para o consumo. 








Os Drones que eliminam "terroristas" tem como consequência perversa atingir populações civis. Quem decide se x ou y sumariamente devem ser eliminado são governos comprometidos com a tecnologia de guerra.  A economia bélica pressiona governos para que seus produtos sejam consumidos pelo  ditador de plantão ou o Obama do momento. Como podemos confiar em Governantes se eles se elegem com dinheiro do Lobby dos Grandes Conglomerados Econômicos. Estamos determinado a acreditar que os seres humanos são dependentes da ideologia do poder de plantão, da Igreja, das teologias, do Capitalismo e da Política dos Rentista que estouram Orçamentos Sociais; pois somente uma minoria sai as ruas para  protestar  a manipulação que o ser humano é submetido, enquanto a passividade e um consumo desenfreado encantam a classe media no seu eterno sonho de ter...





Terminando... como se organizar contra a totalidade repressora de transnacionais, de manipulação de dados,  de governos corruptos que com o voto a cabresto conduzido pelas Mídias Tradicionais se mantém  frente a Países que estão ligados intestinalmente com o interesse econômico. Não há fronteiras delimitando o que ser humano pode ou não pode fazer, mas simplesmente a organização de uma moral baseada em estrategias de dominação que  mantém a população escrava de sua própria "consciência", aceitando o olhar do Senhor - A Crueldade da Filosofia de Hegel Racionalista.... 

Ninguém pode  manipular nossos sonhos como manipulam a realidade... E com esta frase encerro minha divagação internamente coerente com os meus neurônios configurados pelo ser que se atualizou no castrador sistema capitalista.








segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Maxikoan - Limite de Chandrasekhar - By Eros Thanatos








Limite de Chandrasekhar




I

Estou confinado na gravidade da existência, numa conspiração do mundo sub-atômico que depreciou sua energia, restando matéria fria, sem emoção, apenas epistemologia, teoria do conhecimento. A natureza vibra fora deste limite, os fótons livres bombardeiam a matéria e sonham em colidir com a energia escura - ou o velamento da física que os pré-socráticos deixaram nas entrelinhas de seus tratados e poesias. 

O estado de coisas se resume a uma bolha intransponível que retém o transpassar transcendental kantiano. Prisioneiro de um imanente universo que flui no espaço-tempo eterno e relativo, sem Einstein, sem consumo de energia e matéria, apenas atualizando o singular nos campos inexpugnáveis de Espinoza, do perspectivismo nietzschiniano que se integra no processo das dobras de Gileuze. 



II

A cabeça desnuda recepcionando ondas desinteligentes. A crueza do córtex é responsável pela ignara comunicação, interlocução. A matéria como último bastião da liberdade , não que a única solução seja o materialismo, mas quiçá a transformação de matéria em energia eterna sem consciência antropomorfica e caso não seja possível, ainda resta o plano b: - A dualidade da Luz; ora energia, ora partícula...

A memoria-junkie tinha um sonho ou no sonho tinha uma memoria-junkie, mas o certo foi que acordei com a imagem de um cavalo copulando com uma mulher. A lascívia feminina era dirigida pelo equino que com seus olhos imperturbáveis enfiava seu pênis quase infinito na flor da gravidade curva e paradoxalmente quântica. Os fótons, os quarks, os léptons, os bárions, gravitons... que formavam o corpo da espécie humana feminina, regidos pelas quatros forças que ordenam o universo, de acordo com a teoria das cordas, construíam a figura da fêmea abrindo a boca, revirando os olhos e colocando sua língua vermelha sex appeal em movimentos sinuosos, rápidos como as ondas do estágio do sono REM. Os raios solares invadiram a lucarna, levantei do colchão surrado, os olhos cansados se depararam com o aquário cheio de hippocampus grávidos; os machos cuidando dos filhotes e as fêmeas livres para agirem no meio fluido....



III

Crianças haitianas comem bolachas de barro secado ao sol com um pouco de sal para torna-los mais palatáveis. Em Manhattan um executivo acompanhado do seu Ceo são responsáveis por fraudes financeiras que desequilibraram a maior economia capitalista, mas indiferentes a isto, degustam algum acepipe extravagante, harmonizado por um vinho que expressa sua qualidade em duas unidades de mil dólares. A globalização, o sistema financeiro está garantido, ou melhor, as transnacionais não irão a falência, pois a mão invisível do estado ofertará bilhões de dólares dos impostos da população. 

A periferia globalizada se desfaz de suas riquezas minerais e humanas, os primeiros explorados e exportados por empresas supra-nacionais, que espalharam seus sustentáculos sobre os territórios nacionais precarizados; os segundos são dilacerados pela fome, pelas doenças tropicais, pelas calamidades anti-ecológicas e governos levados a cabrestos pelas elites associadas aos capitalistas do centro. Para piorar a situação, os países periféricos com vastas fronteiras agrícolas, tem os preços de seus produtos controlados por bolsa de valores estrangeiras que manipulam artificialmente os valores.



IV

No final estaremos todos dentro do limite de Chandrasekhar, seremos eternas anãs brancas a esfriar num universo configurado pela Teoria das Cordas, seremos sons originários do dedilhar do destino, estamos aferrolhados e pré-determinados pelas quatro forças que governam. Querer ultrapassar isso é ficar retido na singularidade de um buraco negro, numa densidade infinita, onde nem a luz escapa. Não tenho boas notícias ou consolos para os humanos e qualquer outro ser que possa existir, estamos condenados a solidão terrível da massa que forma o universo tanto dentro como fora do limite Chandrasekhar ....




M_{Ch} = \frac{\omega_3^0 \sqrt{3\pi}}{2}\left ( \frac{\hbar c}{G}\right )^{3/2}\frac{1}{(\mu_e m_H)^2}.


onde \hbar é a Constante de Planck reduzida, c é a velocidade da luzG é a constante gravitacional universalm_{H} é a massa do átomo de hidrogênio, μe é a massa molecular média por elétron, e \omega_3^0 \approx 2.018236 é a constante matemática relacionado a equação de Lane-Emden.

THE END   


sábado, 14 de setembro de 2013

Versos Quânticos Assimétricos Ocultos



VERSOS QUÂNTICOS ASSIMÉTRICOS OCULTOS




Um é problema

O Outro é sistema...

Quando Olho o espelho

Quase já não enxergo...

A massa do meu corpo toma volume 

Minha alma me abandona 

Reflito todo o passado:

A pele respira maciamente no involucro imenso do móvel de imbuia cibernético - que abriga por meio das gavetas de laser decompostas em cores flamejantes e laminadas - o Ser...

Os códigos do genoma em números sustentáveis dentro de realidades possíveis no meu espirito  saindo para passear num fóton pelo o universo desconhecido ou num código genético do marfim de um elefante indiano guiado por um monge budista descendente direto de Sidarta Gautama....

As lágrimas correm copiosamente perante as injustiças:

A foto no jornal... 

A mentira nas entrelinhas...

A mancha no lençol...

Viagem filosófica...

Encarnação grega pré-socrática...

Desmorono sobre lembranças sem recordações:

Fragmentos

Fermentos infinitos num espaço negativo

Pedras despedaçadas num passado que não passou

Tudo preparado, dosado e mumificado

O marketing está pronto...



  



Da neo locomotiva à energia quântica

A minha semântica falhou

O trilho do sentido está a espera

Maiskowski lavou seu blusão

Amarelo-rosa

Meu cavalo do tempo-espaço cósmico ainda está com suas patas cravadas  no globo dimensional total

A porta estará sempre aberta às novas percepções...

ALDOUS HUXLEY:

"Devemos o Progresso aos Insatisfeitos"



A janela será a ponte para o futuro

NASA / Java / Jacarta
Windows / Linux

Sempre haverá um paralelo para o qual não estaremos preparados

A relativa Grécia nos oferece absoluta filosofia entre solutas relações pré-pós-socráticas

A sentença já foi dada

Não tenho mais tempo

Não quero ser a bola da vez

Sinuca de bico

Não há tergiversação...

Frutos exóticos de neurônios alimentados por super-mezcalinas

Alguém morre, outrem nasce

O circulo filosófico do tempo mental-genético contrasta com a relatividade de Einstein

Até o infinito tem um fim...


E = mc²

MAXIKOAN

Eu não forneço nenhuma regra para que uma pessoa se torne poeta e escreva versos. E, em geral, tais regras não existem. Chama-se poeta justamente o homem que cria estas regras poéticas
Maiakovski

  



quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Maxikoan - Existência Nauseada - by Eros Thanatos



"Why is there something rather than nothing? "  Martin Heidegger



Quando tive o primeiro contato com o existencialismo, um dos seus autores - Jean Paul Sartre - já havia falecido. Estava na puberdade, os feromônios, os poli-hormônios espocavam nas glândulas do corpo em rebelião. Havia uma revolução em cada aminoácido, uma revolta em cada célula. Precisava de uma filosofia, de sexo, de esportes, de drogas, de álcool... nada era suficiente para deter a revolução da revolução que habitava os neurônios. A biblioteca pública ajudava o aplacamento da fúria, quase incontrolável - desejos de motins contra o estabelecido, contra o status quo. As tardes ocorriam e transcorriam nas paginas de Nietzsche, nos Deuses de Epicuro, nas escassas informações de maio/68 - o estaleiro para atracar a nau da revolução latente.



Foi num outubro quente, na feira do livro de Porto Alegre, embaixo dos jacarandás floridos, depois de consumir infinitas cervejas, no saudoso bar central, que contatei Sartre. Estava nas caixas de saldo o livro: A Náusea. Fiquei pensando sobre qual o conteúdo das páginas. Seria algum personagem alcoólatra de ressaca ou simplesmente alguém enojado da sociedade capitalista. Puxei algumas cédulas da minha jaqueta Lee e fiquei a sopesar. Compraria o Livro ou tomaria mais algumas cervejas. Resolvi fazer ambos, surrupiei o livro e tomei mais cervejas virando as páginas do filosofo existencialista na mesa de um bar. Foi assim que comecei a ler Sartre, e foi assim que contaminei meus pensamentos com a liberdade e o ateísmo Sartriano; porém estava no mínimo 30 anos atrasado... 



Jean-Paul Sartre escreveu: "O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram de você". Em Outras palavras, o existencialista queria dizer, você tem um certo grau de liberdade, de livre-arbítrio, você pode vencer a sociedade e inclusive mijar no túmulo do Chateaubriant. Sartre era considerado um intelectual sujo, junkie, um contumaz consumidor de álcool, coridrina, mescalina e outras drogas. Suas contradições inundavam as posições políticas e a filosofia, pois ao mesmo tempo defendia a liberdade do individuo e apoiava a extinta União Soviética Stalinista, que esmagava a singularidade em nome da coletividade. Sartre foi um errante aos olhos da ortodoxia, porém a própria esquerda tradicional que lhe criticava tinha seus fundamentos na contradição, na dialéctica, no movimento incessante da historia, ou simplesmente, na existência, no existencialismo.


Hodiernamente, sou um Roquentin. Tenho náuseas de tudo, da sociedade, dos esportes, do álcool, das drogas. A minha náusea começa quando acordo, quando estou em vígil e vai até o momento em que durmo. Tenho ataques de vômitos e enjoos full time. Não encontro nenhum porto seguro em que possa ancorar o niilismo, a nadificadão da existência, mas Sartre não é o único responsável para a tendencia ao nada. O pessimismo se agudizou ainda mais no momento que abri livros de Heidegger e descobri o homem autentico. A vida é sem sentido, é aleatória, apesar de pensarmos que temos poder de mudar alguma coisa. O homem autentico sabe que nasceu para morrer, que não tem nada de especial, apenas tem uma linha de tempo biológica que se extinguirá em algum momento da sua existência. O pensar é a tortura ininterrupta que o córtex impõe, a náusea é a essência do pensamento, quem pensa deve saber, estamos sós e morreremos sós por mais que alguém tente buscar uma salvação, uma transcendência.





Um dos Filósofos que Sartre se influenciou foi Heidegger que perguntava:


- Porque Existe o Ser e Não o Nada?

Na realidade existe o ser em busca do nada ou o homem tentando preencher o nada com a superfície da existência fora do seu âmbito biológico, do seu âmbito intelectual, mas isso é apenas um passa-tempo, uma manobra diversionista para driblar o futuro-nada ou o sem sentido da vida.... O filosofo existencialista sentiu o nada, mergulhou no nada antes de morrer. Tomava porres imensos nos cafés parisienses, abusava de soníferos, ficou cego. Podemos dizer que foi um Édipo do século vinte. Descobriu o enigma da existência e mergulhou na caverna profunda e densa do nada. Seu último pensamento deve ter sido: "A luz ou a escuridão não importa, quando pela atividade intelectual descobrimos a única eternidade acessível ao homem, ou seja, O Nada....









 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Maxikoan: Look Your Coccyx...



O homem não tem cauda...
Não por ser especial ou criatura de um ser perfeitíssimo, fora do tempo e do espaço, mas pela evolução.



Foi no meu último sonho metafísico, que Nietzsche e Darwin estavam parados numa esquina de Londres, provavelmente, aonde Jack Estripador seguiu o método cartesiano  e separou as partes dos corpos de algumas de suas vitimas. O dia estava livre do fog britânico, a cinzenta London estava iluminada por raios de sol. Darwin e Nietzsche apoiados na parede de tijolos a vista, rabiscadas por grafiteiros e com marketing de cervejas grudadas na sua verticalidade. O Filosofo tomava uma guinness apesar da sua repulsão ao álcool e o Biólogo bebericava algum vinho da região do rio reno. Discutiam intensamente se a vontade de potência ou a mutação eram responsáveis pela dinâmica dos seres vivos, do universo:



D: - Acho que seu Übermensch só seria possível por meio de uma mutação.

N: - Certamente, a mutação de todos os valores, a transformação da moral seria baseada nos genes, na mutação genética. Seu suporte seria físico, pois desmanchei o racionalismo hegeliano e a metafísica a marteladas, mas hoje o genes do super homem ainda não existe, talvez tenha se perdido para sempre no homem grego na época da tragédia.


D: - A evolução não leva a nenhuma mudança radical, apenas adapta a vida a novas exigências do meio. 

N: - Isto é o cristianismo que criou uma moral dos fracos para sobreviverem num mundo aonde a vontade dos fortes, da besta fulva vai se impor.

D: - Repito. Somente por meio de uma mutação será possível que sua filosofia, que a vontade de potência e o Übermensch vão vingar.

N: - Os gregos antigos não precisavam de deuses para suportar suas desgraças, era a vontade pura da natureza, as forças do universo que os mantinham prontos para rirem de suas tragédias...

D: - Se você tem certeza disso, eles foram um ramo da humanidade que se extinguiu, assim como lobo da Tasmânia, os dinossauros e outros tantos.

N: - As Civilizações tem ciclos de Apogeu e decadência, os gregos não fugiram a esta palingenesia, ainda mais quando sofreram a influência do judaísmo, da moral dos fracos. Platão foi o fundador do cristianismo com seu mundo imaculado das ideias que acabaram com o vigor da cultura, do homem forte grego.





Nietzsche e Darwin avançaram pela tarde com o dialogo. O lusco-fusco já se aproximava, os dois estavam embriagados. O filósofo ficou com o farto bigode intumescido pela cerveja, enquanto o biólogo secava os últimos goles da essência do reno. Os dois começaram a observar o movimento de idosas anglicanas com seus trajes rigorosos irem na direção da abadia de Westminster: 




N: - Pobre rebanho servil e imitador, acreditam que serão salvos pela fé, que existe um outro mundo melhor. Concordo com Marx quando escreveu que a religião é ópio do povo.

D: -  Imitatorum Servum Pecus....

Nietzsche puxou pelo braço Darwin e se puseram a seguir um grupo de religiosas. Quando se aproximaram da Abadia, os dois começaram a gritar para as senhoras saídas da era vitoriana, dignas do século XIX:

 - Olhem seu cóccix... 

 - Olhem seu cóccix... 
 - Olhem seu cóccix...

Riram muito, ainda mais, quando as  velhas carolas  se puseram a correr, pensando se tratar de dois bêbados celerados ou até quem sabe os dois estarem possuídos pelo demônio. As senhoras entraram correndo no templo, pois ali estariam protegidas pela fé. O filosofo e o biólogo estavam languidos de tanto gargalharem. A noite chegou  e os dois se despediram com um breve dialogo:

N: - Foi um dos melhores dias de minha existência, só comparados  com minha estada no sul da europa.

D: - Concordo... Fazia muito tempo que não me divertia tanto, lembrei as brincadeiras dos marujos do beagle que enfureciam o capitão.

N: - Então vamos para casa, enchendo os pulmões e gritando a pleno - Nietzsche inspirou e vociferou: - Olhem seu cóccix... Olhem seu cóccix...

D: - Olhem seu cóccix... Esta é muito boa...


E assim ao som de enormes risadas infernais o sonho metafísico se desfez....










domingo, 4 de agosto de 2013

O Conexo Desconexo





O DESCONEXO









O CONEXO 




O prato branco fumegante em cima da toalha puída e macilenta de algodão, com detalhes bordados em forma de flores vermelhas dentro de cestos de vime, olorava vapor carnil exalado das almondegas - ao molho madeira, acompanhadas de arroz cateto selvagem e salada de burgol, cebola, pimentão e tomate. O garfo na mão do filósofo estava suspenso, congelado na profundidade da rede de neurônios. O pensamento maquinava o capítulo XXII do livro Contribuições À Doutrina Do Sofrimento Do Mundo, de Arthur Schopenhauer. O espirito do philosophe se inundara do pessimismo do ilustre pensador tedesco. Estava em plena ataraxia, sem reflexos de mobilidade corporal, apenas atividades críticas e negativas no fluxo e conexões do córtex cerebral.




No lado oposto da cidade, no Instituto do Coração, um cardiologista examinava um diagnóstico produzido pela vanguarda tecnológica, seu pensamento distava alguns quilômetros, buscava uma explicação, uma racionalidade para a diferença entre a assistência médica dada aos pacientes particulares, possuidores de bens  e o oferecido pelo sistema de saúde do governo aos mais necessitados - os sem posses. Eram duas categorias de pacientes:

a) Os donos e beneficiados pelo poder econômico - que recebem toda disponibilidade de equipamentos avançados e métodos supra modernos sem espera.
  
b) Os explorados e subjugados pelas leis confeccionadas em favor do poder econômico e que ficam à mercê de um sistema ineficiente, de colegas que apenas estavam interessados em receber "desprezíveis reais" pagos pelo sistema publico, além de ter que esperar horas, dias, meses, anos para serem atendido, quando não morrem na fila. O pensamento critico do médico questionava o sistema capitalista: 
- "Será que  em Cuba existiria aquelas distinções? Será que os homens eram atendidos conforme suas posses, mesmo nas horas mais terríveis, quando todo ser humano deveria ter os mesmo direitos diante a doença? Porque os recursos tecnológicos e métodos modernos só estavam a disposição de um seleto grupo do poder econômico e seus apaniguados"?




O filosofo levou o garfo com um pedaço de almondega condimentada entre os dentes, a inercia começava a se desmanchar, a pimenta extra forte adicionada ao bolo de carne e pão fizeram seus olhos lacrimejarem, uma parte da secreção caiu num granulo de açúcar cristal, que uma formiga carregava com grande esforço, com o líquido salgado o produto industrializado da cana de açúcar, que os portugueses e holandeses disputaram há séculos, se dissolveu e o esforço do inseto se tornou em vão. Os sentidos do philosophe despertaram completamente, sua ataraxia se esboroou com um som agudíssimo vindo de uma serralheria da vizinhança. O ferreiro batia o malho num ferro com toda sua força física, extraindo sons que despertavam até almas adormecidas eternamente. O pássaro cardeal se batia na gaiola de arame e madeira, pendurada na porta da serralheria na qual o ajudante saia carregando um copo de aguardente para o ferreiro, nem sem antes bebericar alguns goles em frente a parede interior do galpão, que apoiava um calendário de mulheres nuas de uma empresa de pneus.




Uma árvore carregada de caqui, uma planta originária da asia luxuriante e despótica, atrai sábias com seus bicos evoluídos para furar frutas, caçar insetos, eles emitem seu trinado triste, apesar de hodiernamente os alçapões, fundas e espingardas de chumbinhos estarem abolidas pela nova geração que nesse instante tecla em frente a uma computador, screen ou cheiram cola na frente de um supermercado abordando clientes para dar suporte ao vício e, ainda, atirados como zombies exercitam a mortificação de seus corpos fumando crack - em becos e áreas degradadas junto a excrementos humanos de homeless, que se limpam com jornais da grande mídia corporativa, que defendem os interesses do poder econômico e estão se lixando para a transcrição correta dos fatos - num dia qualquer do calendário gregoriano em que a terra completa sua translação indiferente as funções artificiais que os homens cumprem com determinação. Como  ratinhos de Skinner corroborando a teoria behavorista, enquanto outros dormem em casa de papelão & outros assaltam, entrementes, um budista e um médium empreendem voo no espaço cósmico usando técnicas paranormais que a guerra fria escondeu a sete chaves, porém a SpaceX lançou um carro Tesla Roadster a bordo do   novo foguete jumbo Falcon Heavy...











quarta-feira, 31 de julho de 2013

Life is fragmentary and Irrational







MÉ ON      ~~~~~~~~~~~~    ONTOS ON






Passou pelo epifenômeno, ou seja, pela rede neuronial que suporta o que chamamos de pensamento. Foi como alguém batesse na porta e ao atender, ao abrir nos deparássemos com o nada ou com fragmentos de realidade - que teríamos que montar de acordo com nosso corpo biológico, junto a eletricidade e a química que o habitam. Sendo mais preciso, as ciências e as filosofias (no plural para justificar o título) buscam a unidade, como o cavalo tenta alcançar a cenoura pendurada a sua frente, num haste amarrada ao seu corpo. Well, o Positivismo de Comte se gabava de ter chegado ao ápice do desenvolvimento do homem, a Sociologia seria a Unidade de todas as ciências, depois de uma demorada evolução do Mito à Religião, da Religião à Metafísica, da Metafísica à Ciência e finalmente o Positivismo.  




Hodiernamente -  Ciência tenta unificar a Teoria da Relatividade de Einstein com a Teoria Quântica para Termos a compreensão total do universo (Teoria das Cordas). Einstein não admitia um mundo diversificado, relativizado perante a compreensão do universo,  não aceitava que Deus se divertisse em Las Vegas: - "Deus Não Joga Dados" - disse certa vez. Era o Inimigo nº 1 da Física Quântica e tentava derrubar a Teoria da Incerteza de Heisenberg - com cálculos, que cada vez mais ratificavam a mesma - Sua abordagem sobre  o Efeito Fotoelétrico é um exemplo. Einstein não era um cientista convencional, suas equações nasceram de sua imaginação. Num ato virtual viajava a velocidade da luz - paralelamente e em movimento contrário a uma descarga elétrica, sua mente fértil, o sonho em vigia foi a base da Teoria da Relatividade na qual tentava provar um mundo estático.



Tentando pegar o fio de Ariadne para escapar do labirinto, o homem paga até hoje a estrutura do seu primeiro pensamento organizado. O Mito foi o fundamento, a configuração que se estabeleceu nos neurônios  para escapar das incertezas que a natureza (inclusive o Homem) - Através dos fenômenos impingia ao bípede implume. A Morte do Minotauro não iria reparar as injustiças que derivam das artificiais escalas de valores construídas sob o medo do desconhecido. O Bem e o Mal só existem na axiológia, na moral e na ética, que foram fabricadas com o intuito de  num primeiro momento dar conforto ao ser que começava a repetir os movimentos da natureza - e, num segundo momento, por uma escol, para dar suporte a uma estrategia de dominação do homem pelo homem.




A natureza humana tem verdadeira ojeriza por fragmentação, apesar de sua individualidade ser uma organização fragmentaria que tende para o espalhamento. A consciência é um quebra-cabeça montado pelas vivências prestes a ser implodidas e inseridas no jogo irracional da natureza, que desconhece a pretensão unificadora humana. Não temos nada - nenhuma pista, vestígio de deus, de racionalidade na natureza, senão na virtualidade inconcreta da rede neuronial,  que dá suporte a  metafísica. A Unificação em qualquer forma como no holismo, em deus e no ser especial homem não encontram eco no fluxo no universo concreto - que nos é apresentando nas nossas vivência acumuladas na consciência ou na inconsciência.




CARPE DIEM


Pegando o título do Poema de  Horácio convoco a todos que aproveitem o dia, não percam tempo em contrariar a natureza, apenas sigam seu fluxo, naveguem no rio de Heráclito. Deixem as uvas amadurecerem, aproveitem o açúcar natural ao sol ou  as macerem, as deixem  fermentar e virar  líquido nobre. Saboreiem o vinho numa noite em que o céu límpido mostre todo o esplendor em algum lugar inexplorado. Convoquem para uma unificação provisória as percepções, os sentidos, deixem a embriagues de Dionísio tomar conta do seu ser, pois está é única forma de anular o sofrimento, a passividade diante a máquina sociológica, econômica que não cansa de moer carne humana...



terça-feira, 9 de julho de 2013

THING-IN-IT-SELFT -> Númeno Sem Mais ou Menos...Sou Muitos Mas Não Sou Nenhum












Foi na última noite de insônia... 

Não consegui escapar, bater em retirada...

A rede de neurônios me colocou face a face com o fantasma do Ser. Metafísica? 

Ontologia? 

Ou simplesmente, Filosofia de Alucinação?

De repente, uma voz socratiana perquiriu: 

-Como assim?

-Filosofia de Alucinação?

-Não sei quem é você que entrou no monologo, mas seja bem-vindo, porém deixe-me desenvolver o mote, sem interrupções - respondi.

Voltando ao assunto, fiquei de frente aos monstros que se escondem em minha mente selvagem. Era hora de acertos. O balancete iria começar, deficit ou superavit? É uma questão de hermenêutica neste mundo pós-moderno onde "Tudo que é Sólido se desmancha no Ar" - já dizia Karl Marx.




A medievalidade emergiu em meio ao mundo virtual, ao mundo das aparências, ao mundo das ideias... 
O subcortex herdado dos répteis quis impor sua inquisição, seu auto-de-fé... 
As acusações eram muitas, por exemplo, acusava de atributos como drunk, como toxicômano, como lumpemproletário, como hacker... eram muitas acusações gravíssimas, não tinha como defender de tais libelos... 
Well, contudo não tinha o que temer neste mundo relativo, virtual, de fenômenos e para-fenômenos. Os valores são relativos e isto é absoluto...

Estou Salvo? 

Será que o purgatório havia chegado? 

Olhei para o meio do Rio de Heráclito e não enxerguei Cérbero com suas três cabeças e sua barca dos horrores. Fiquei na margem, não precisava ser coerente, pois nada é coerente no universo, a não ser o mundo categórico de Kant e sempre estive mais perto de Schopenhauer, de Nietzsche do que Kant e seus discípulos...



Os monstros iam se revezando, acusando com seus dedos pustulentos, em riste, direto ao meu rosto. 

Seriam Promotores do Hades ou Juízes com Sentenças inapeláveis? Bem, resolvi pegar a garrafa de vodka, meu advogado de defesa preferido. Já no primeiro gole senti que juntos poderíamos reverter o processo. Os tribunais seriam inundados de teses que inverteriam todos os valores humanos (Nietzsche) e como consequência todas as leis vigentes e Cartas Magnas. Imagina o que poderia fazer com vinte goles, com a Absolut toda, viraria um Deus e a Garrafa se tornaria o chefe dos Querubins. 

A Medida que a botelha se esvaziava mais teses de defesa brotavam torrencialmente do Epifenômeno, mais seguro ficava e já via a glória da absolvição, de todas as acusações, assunçar ao cerúleo e límpido altar dos heróis.




Carros começavam a se mover, os ônibus com suas descargas poluidoras rasgavam o asfalto e a aurora com seus dedo róseos, com sua poesia, era indiferente ao mundo dos homens. 
O tempo percorrido entre os libelos e o contraditório haviam sugado a noite de insonia, os monstros começaram abandonar o púlpito de acusação, o vasilhame de vodka estava esgotado, joguei-o no canto do quarto, junto com outros santos vazios acumulados. Finalmente, senti o gosto da vitória, os inimigos bateram em retiradas, os amigos foram repousar com as láureas da gloria. 
Well, agora era um Deus com letra maiúscula, nada podia me deter, apenas peguei alguns comprimidos e outra garrafa e fui passear na manhã gélida do sul que se iniciava...




All truth passes through three stages. 



First, it is ridiculed; Second, it is violently opposed. 



Third, it is accepted as being self-evident. 



Arthur Schopenhauer






MAXIKOAN