quarta-feira, 25 de março de 2015

Maxikoan - Pensamento Zipado Ou A Complexidade Da Teoria Do Nada....


Pensamento Zipado
Ou 
A Complexidade Da Teoria Do Nada....




Todos homens, bípedes e racionais, necessitam de um arrimo. Talvez um livro sagrado, uma cruz, um simbolo sobrenatural ou uma filosofia; até mesmo, visões divinas misturadas num cadinho cientifico (física quântica). Parmênides trocava toda sua fortuna por uma pequena tabua em que pudesse flutuar no oceano de incertezas. O meu mundo é diferente. Não preciso de rolex, conta bancaria ou qualquer modo que transforme o ser em ter, nem qualquer ilusão para existir, nem  mesmo um GPS:

- Não preciso da alienação no objeto para ser e existir. Alienação alienígena ou o ser imanente no objeto. Não uso aplicativo para orientar ou gerenciar algum procedimento.

Sempre admirei a convicção de Empédocles, que acreditava ser imortal. Quando cumprimentava seus contemporâneos, fazia assim:

- "Saudações! Eu sou entre vós um Deus imortal, não mais um mortal”.

O filósofo grego acreditava tanto em sua eternidade, que para prová-la, se atirou da borda da cratera do Etna - nas profundidades do abismo. 



Meus pés rasgados pelo destino. A pré-determinação assassina de todo o livre-arbítrio. Ando de acordo com a causa e efeito - ou leis que regem o universo. Tanto um como outro, não temos alcance de conhecer ou influenciá-los. Kant nos ensinou a absorver a crítica e que é impossível conhecermos a coisa-em-si. Todo dia levanto no meu ateísmo destrutivo. Engulo uma chávena de água-ardente. O aparelho estomacal é estimulado. As falanges logo em seguida  começam apertar teclas que imprimem palavras na tela. Após outra chávena o pensamento move-se mais rapidamente e confuso. Não acredito em alguém que escreva corretamente, conforme as leis da sintaxe, da ortografia & semântica.  Não necessariamente, mas provavelmente, é alguém que aceitou o olhar do senhor. O consumo da casa grande já não pode mais ser sustentado. As amarras invisíveis precisam ser rompidas. Um mundo novo pode ser diferente, mas para isso precisamos acreditar no ser humano. De minha parte estou cansando, cético, destilo ácido e nas veias correm líquidos radioativos. Não acredito em promessas, mas anuncio dias terríveis - sou uma espécie de oráculo do pessimismo. Os pássaros de mau agouro sobrevoam meu córtex. Os deuses estão mortos, mas mesmo antes de Nietzsche colocar na sua filosofia, eles já haviam abandonado minha ascendência. Estou sempre pensando que dor terrível vai consumir minha existência. Em que Cáucaso os abutres vão consumir meu figado etílico, exposto no corpo acorrentado na montanha mais solitária.  A minha repugnância afasta os seres indesejados, sou quase um misantropo. Para ser preciso vencer o instinto de auto-conservação. Não sei aonde chegarei com minha verborreia e solidez solitária, meu mau-humor, minha dieta Etílica-Vegan. Só tenho orgulho dos meu ferimentos causados pelas bebedeiras... Enfim, talvez, o fim seria melhor, mas estou enfadado com adjetivos...





  

terça-feira, 3 de março de 2015

Leibniz–Newton calculus controversy - Binaridade & A Tartaruga de Aquiles....




Binaridade & A Tartaruga de Aquiles....






O existencialismo de Sartre, baseado na liberdade, em que o homem  pode fazer de si algo melhor do que a sociedade fez - é similar ao pecado original do cristianismo.   Ele coloca a responsabilidade do destino nas mãos do homem. Na realidade, o homem não tem sentido, nem sentimento, pelo menos no que tange ao meu "ser" - estamos presos a massa, a matéria escura e a energias que habitam o universo. A cada frase construo teorias. Elas são vazias, sem verificação, ajudam a levar o cotidiano desfavorável a uma utopia que só existe na geração em que os neurônios produzem o epifenômeno. O livre-arbítrio só pode estar  na configuração neuronal. É uma liberdade vigiada pelas impressões que entram nos sentidos e transformam a tabula rasa de Locke, criando todas ilusões como o absoluto, a verdade e seus contrários. O sonho também é uma liberdade controlada, caso contrário, não teríamos pesadelos fora do estado vígil. Neste momento preencho uma folha em branco virtual, ou seja, a página virgem do blog. Existimos numa teia que abriga Berkeley, Humes e Popper, ou seja, só existe o que percebemos, se o sol nasceu hoje no lago dos cisnes brancos, não quer dizer que amanhã o sol nascerá - e se nascer é provável que um cisne negro desfile sua graça no lago dos cisnes brancos. Popper é um Humes mais "evoluído", um dos principais filósofos do século vinte. Foi um austríaco que colocou o circulo de Viena em xeque. Com efeito, Popper expulsou a verdade absoluta do positivismo lógico, que estava oculta, apesar do circulo de Viena negar a existência em sua ciência positivista-lógica. Os orgulhosos filósofos e cientistas do circulo vienense e agregados acordaram do sonho do absoluto, que é o princípio, o fundamento de teologias e metafísicas. A história do pensamento humano não consegue sair da dualidade, do binarismo. Heráclito de Éfeso há dois mil e quinhentos anos já travava esta batalha contra Parmênides de Eléia, que acreditava no absoluto, no eterno e afirmava “Toda a mutação é ilusória”. O filosofo do Éfeso afirmava tudo está em perpétua mutação, Panta Rei. Alguns dizem que ele foi o pai da dialéctica, que ao chegar em Hegel foi incluído  o terceiro termo para unir a tese e a antítese, ou seja, o terceiro fator: - a síntese. Com efeito, o terceiro fator é apenas a nova fase de uma nova dialéctica binária, ou seja, a Tese. A humanidade está presa no ser e não-ser, na verdade e falsidade, no zero e no um do sistema binário da computação. Somos escravos do eterno fluir na nossa transitoriedade, enquanto nos divertimos com o absoluto indeterminado ou com finito do infinito. Sabemos que Aquiles nunca vencerá a tartaruga na infinita divisão matemática, mas ela será ultrapassada com um simples passo de Aquiles no mundo "real" dos sentidos. 
"Es gibt keine fakten nur interpretationen." - Nietzsche

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

METAFISICA DO VENTO: Maxikoan:Três Menos Um Igual A Dois - A Matemática do Destino...


Três Menos Um Igual A Dois
A Matemática do Destino




Os dias continuarão ensolarados, nublados, instáveis. As pontes estarão transportando veículos, pessoas de um lado para o outro. O que existe atualmente existirá no futuro e existiu no passado, porém com as configurações díspares na timeline  do espaço curvo de Einstein. O objeto será percebido pelo observador. O observador terá a sua verdade diferente da verdade de outrem observador.  A coisa-em-si nunca será acessível ao sujeito, até porque ela não existe no real, apenas nos livros teológicos e filosóficos. 

- Pensa rápido. Não tenho muito tempo. Em quem atiro?

- Calma... Uma decisão deste quilate não pode ser deliberada com rapidez.

- Mas você não é humano?

- Sou, mas além disso e por isso, preciso ponderar, colocar a razão e a emoção na balança.

- Que mania você tem de valorar, julgar, medir. Deixe o emocional, o irracional invadir seu ser.

- Mas de certa forma é isso que faço. Sentimento e irracionalidade são a base do racional.


A luz lunar, o plenilúnio, invadia as basculantes com rendilhas de vidro encardidos, sustentadas por ferros carcomidos encravados na antiga estrutura de tijolos à vista. O armazém, no pier depreciado pelo tempo implacável, inerte economicamente,  esquecido, mergulhado na eternidade instantânea, lambido pela água sinistra e deletéria do rio nevoso e agitado pelo vento incorpóreo, emanando uma atmosfera sobrenatural, cerzia três almas que formavam um triângulo no chão plúmbeo e estabeleciam relações nada convencionais. Um diálogo decisivo sobre vida e morte, um coquetel com todos os ingredientes humanos. Num dos vértice do triângulo imaginário ficava um ente com indumentária negra contrastando com a pele esbranquiçada do rosto e os olhos vermelhos sem vida. Na mão direita portava  um revolver de aço inoxidável rebrilhante, apesar da ínfima luz que o tocava:

- Seu tempo está se esgotando. Vamos... Preciso de uma decisão.

Neste momento, no berço de vime que encontrava-se em outro vértice, emitia um choramingar. A luz tênue e macia acariciava a face rósea de um bebe. O berço balançava usando energia invisível, enquanto o terceiro ser de olhos petrificados ponderava e murmurava:

- Estamos vivendo um kairos, tenho que medir as circunstâncias,  sopesar as consequências de minha decisão...

Acendendo um cigarro o homem trajado de preto bafora entre os lábios sediciosos, carnis, languidos e assassinos. Reflexiona em voz alta, ao mesmo tempo que engatilha a pistola:

- Não sei, mas parece o que você decidir será inócuo para o rumo do universo. As leis que regem o infinito designarão o que acontecer aqui, portanto você é apenas o boneco do ventrículo. Decida logo, pois não hesitarei em puxar o gatilho em instantes.

A criança continuava chorar no berço movente. O homem de olhos petrificados continuava em pensamentos soturnos. Eu ou o bebe? Não conseguia equacionar. Calculava quanto tempo ainda restavam de sua existência, por essa lógica tendia a salvar a criança, mas não era tão simples. O bebe era um ser frágil suscetível a diversas enfermidades. Ele tinha trinta e cinco anos, um homem feito mais preparado para as adversidades da vida.

- Vou acender mais um cigarro este é o tempo que lhe dou...

O bebe se esganava chorando copiosamente. Os dois homens permaneciam imóveis, fleumáticos. Um com cigarro nos lábios e outro acelerando sua dialéctica, aguçando sua ética:

- Salve-se o bebe. É o mais justo. Salva-se o bebe...

Três estampidos espocaram dentro do armazém no silente cais, o homem de preto havia disparado no ser de olhos petrificados. Depois, saiu devagar, jogou o cigarro nas lajes limosas:

-Três vidas, uma decisão, uma morte, dois destinos...

Empurrando a imensa porta metálica, que separava o pier da cidade, saiu. Deixou a criança no berço a sua própria sorte. Respirou fundo o ar gélido da noite sinistra. Foi rasgando a nevoa que encobria a rua marginal do antigo porto. Flexionou seus lábios de cobre, levemente, uma concessão a uma felicidade de dever, destino cumprido. Desapareceu na escuridão decadente.... 



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Metafísica Que Transpasse Todos Os Valores Humanos






Metafísica Que Transpasse Todos Os Valores Humanos







Ultimamente procuro uma metafísica que transpasse todos os valores humanos, que moteje da moral, da ética. O homem não escapará do escarnio e o próprio escarnio será zombado. Seria uma transposição do sentido dos sentidos para administrar a "mente". Sabemos que somos iludidos duplamente. Então, uma pergunta se faz necessária: 

- Porque seguir este modelo de ilusão mente/sentidos?

Só não sabemos se para mudar devemos deletar toda cultura, todo o pensamento gerado no ocidente/oriente. Temos o intuito que as duas esferas do conhecimento humano nos levarão a uma catástrofe total. Precisamos puxar o freio do planeta. Apreendemos a ética e a moral. Impregnamos na mente todas as racionalidades-teológicas-éticas de Kant e dos mais variados religiosos, porém nosso corpo sorri matreiramente, sabe que a causa dos nossos comportamentos e costumes derivam diretamente da matéria-energia. As Leis Humanas baseadas na razão - não são capazes de evitar, suprimir a força da carne pré-determinada e da vontade do universo:

- Este é  o Espírito das Leis?

- Não é Montesquieu?






De um lado a ética, a moral e a razão. Asseveramos todos os preceitos das brochuras douradas dos livros sagrados da teologia, da imaculada racionalidade... No entanto, na primeira oportunidade de lucrar, de exercer o prazer da carne, as páginas lustradas das santas escrituras jorram o lânguido suor do prazer, da carne, do consumo. O homem com sua escala de valores artificiais produziu o rompimento de sua natureza. A saída da essência resultou na multiplicação geométrica das desigualdades, chegando até mesmo construir uma hierarquia de subespécies dentro da classe  animal implume e bípede de Platão. A sociedade de classes criminaliza, reprime, impõe a miséria. Estamos a ponto de retirar a maior parte da humanidade do topo da categoria animal e colocá-la junto com os demais mamíferos. 








De outro lado a consciência forjada a ferro e fogo fátuo, artificialmente, serve como escudo das "tentações", ou seja, as necessidades. Contanto, os ideólogos do capitalismo, sabedores da realidade que move os humanos, construíram um sistema de propaganda e marketing que explora o motor humano da vontade. Com isso fabricam produtos para gerar consumo-fake. Já não bastasse as filosofias que dividem o homem em corpo e mente, agora ele se acha angustiado. O meta-consumo ou a meta-necessidade   criou um desenfreado ter que afoga o ser.  Por isso precisamos de uma metafísica que perpasse toda racionalidade, toda Ética... Precisamos resgatar o homem da ideologia que o escraviza. 








sábado, 20 de dezembro de 2014

Carapideskokolucho Coli - Superbactérias, Discourso nº 50 & Instituto SOROS






Carapideskokolucho Coli

Superbactérias, Discurso nº 50 & Instituto SOROS





Quando ouço a multidão falar:
- O que ele fala não faz sentido.
 Fico com a voz socrática a rebumbar nas paredes do córtex:

"Cara, fica frio. O povo é um rebanho guiado por pastores que se alimentam nos pântanos da ignorância humana e bebem a  água da compensação do sobrenatural".

Carapideskokolucho Coli, na sua rotina de  loucuras, emitia discursos ininteligíveis, enquanto raspava a sola do sapato na boulevard. No entanto, Zinestin, um cientista pesquisador de novas formas de semânticas paralelas, seguia Coli  com um gravador discreto. No seu estudo, financiado por uma ONG, suportada pelo Instituto Soros, Z. classificava as ininteligíveis peças discursais de Carapideskokolucho. O mais recente foi titulado como Superbactérias: 








Discurso Nº 50
As Superbactérias.
Autoria:  Carapideskokolucho Coli



A humanidade precisa eliminar sua memoria afetiva para não sofrer um grande colapso emocional, pois tempos de superbactérias, epidemias e inefáveis quantidades de mortes dominarão as épocas vindouras. Os laços familiares, de amizades, de amor e empatia não poderão coexistir com o tempo de catástrofes que se avizinha. O ser humano será um farrapo contaminado de doenças que diminuirão drasticamente sua expectativa de vida, isto para privilegiados, pois a mortalidade infantil chegará na casa dos noventa por cento. Teremos mais hospitais do que igrejas; farmácias e prontos- socorros serão a nossa segunda casa. As relações afetivas se tornarão impossíveis, pessoas com laços de parentesco assistirão os seus entes nascerem e morrerem numa velocidade espantosa. Os sobreviventes andaram pelas ruínas citadinas com seus corpos ejetando vermes pela epiderme. As entranhas serão moradias de super bactérias, vírus e hormônios sintéticos advindos das torneiras dos recursos hídricos privatizados.  Os rios secarão... seus leitos pulularam  doenças e pragas que dizimarão as safras GMOs (T) e a fome se espalhará sobre os zumbis terráqueos. As temperaturas cozinharão as carnes vivas dos animais, o planeta deletério se encarregará de destroçar os seres supervenientes. As elites em suas redomas esterilizadas serão engolidas pelo fogo vindo do espaço... O fim dos tempos está perto... 







terça-feira, 18 de novembro de 2014

Paralipomena - Underground, Escrever, Write...



 Paralipomena

Underground, Escrever, Write... 





Escrever é como xadrez, você apreende alguns movimentos e já pode jogar. Não precisa de "inteligência", não precisa ganhar o jogo - apenas jogar, apenas escrever.... Porém, para jogar letra no papel, precisa-se das entranhas, jogar os fluidos glandulares no texto, nas entrelinhas. É preciso o arrepio da beira do abismo, a depressão da mais profunda fossa oceânica, o aroma das pétalas, o odor tenebroso das carcaças em adiantado estado de putrefação. Satã será vossa companhia na solidão escritural. Escrever só é possível nos infernos pessoais, no érebo, por baixo da terra, numa cova rasa, na singularidade de um black hole. Astronautas não escrevem quando estão no espaço. Emitem ondas que viajam pelo vácuo de sentido com suas vozes codificadas.  A matéria-prima do escrever só pode ser ceifada numa selva psicológica de desajustados, colhida nos trigais de Van gogh, na loucura de William Blake, na dantesca sociedade humana. Se você quiser manter seu figado intacto, livre de cirrose,  de hepatites, de tumores destrutivos, apenas, fique na superfície, escreva para os jornais, para a big media, para as vitrines dos shoppings. Um movimento errado no xadrez você perde o jogo, um erro de sintaxe pode gerar um estilo. Um defeito no escrever pode, como um grão de areia na ostra, virar uma perola. Não se preocupe com a gramática, pois quem escreve conforme as leis é apenas um alienado que tolhe o ser que se manifesta na linguagem-livre-fluida. O escrever precisa de liberdade, de álcool, de loucuras e rompimento com status quo. Transgredir deve ser uma constante. A morte será uma conselheira valiosa. O escritor deve  usar seu corpo no submundo, no Underground, nos excessos tóxicos. Deve fazer como Aldo Huxley, na hora da morte, aplicar 100 microgramas de LSD, via intramuscular. Para aprofundar seu texto, faça como Hölderlin, fique décadas trancafiado na torre, às margens do rio Neckar, escrevendo poemas. Escrever é ser expulso de Harvard, promover uma experiência psicotrópica como Timothy Leary. Escrever é imaginar o fim do mundo, voltar no tempo na hora do big-bang. Derramar letras no papel é fazer como Lima Barreto, colocar o figado em exposição para ser derretido pelo cinismo da sociedade. Escrever é urinar nos túmulos dos poderosos, jogar fezes na coroa da rainha.... 







sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Literatura Hemácia ou Hitchcock Radical... Nemesis Avícola




Literatura Hemácia

ou

Hitchcock Radical...






Pegou a antiga caneta de pena, molhou no tinteiro repleto de sangue de pássaros. A tinta de glóbulos vermelhos de aves era conseguido com a captura, principalmente pombos, por meio de arapucas espalhadas no entorno de sua casa. O contista esdrúxulo dizia:

-Um punhado de milho em troca da liberdade e da vida. Pássaros tolos. Criaturas toscas. Não aproveitam o dom da evolução, que a natureza lhe proporcionou. O céu azul sempre a disposição e eles preferem cair nas minhas arapucas....

O literato sanguíneo compunha letras que formavam fonemas, que formavam frases, que formavam períodos, que formavam contos a custa da vida de pássaros.



Dia após dia, invariavelmente, armava arapucas, capturava pombos, extraia o sangue das avezinhas e armazenava em recipientes hermeticamente lacrados, colocando no refrigerador junto com o estoque de cerveja. Sua escrita era recheada de galamatias, inspiração escolástica e aporias. Não importava se fosse considerado um anti-ecológico escrevinhador. Seus contos-sanguíneos absurdos eram a leitmotiv, a razão da sua existência. Na sua visão de mundo, na sua existência, não havia espaço a preencher, todas as lacunas tinham sido ocupadas por textos bizarros e surreais. O contista de tinta hemácia colocava seus contos em latas de cervejas, lacrava e as levava para um lago localizado no cume de um morro limítrofe a sua habitação. A dificuldade em enterrar seus escritos na beira do lago eram as sanguessugas e planárias. Ao entrar nas águas sua saúde corria perigo, mas a obsessão de escrever e enterrar suas capsulas de literatura venciam todos obstáculos e ameaças.  



Antes do epílogo, convém lembrar que toda a literatura insólita, kafkiana, foge a compreensão racional, contraria os fundamentos da ciência. As vezes, terminam em tragédias....


O sol joga suas ondas diáfanas que colorem a natureza outonal. O córrego de águas límpidas em fluxo, fazem moinhos nas pedras que rompem a superfície aquática. O contista de tintas hemácias respira fundo. Sua mochila verde musgo transporta uma nova carga de drágeas de literatura. Vai pisando em calhaus na íngreme Via Ápia de areia. Uma sombra paira sobre a cabeça. O literato olha em direção ao céu e enxerga uma pequena nuvens de pássaros. A princípio imagina tratar-se de migração de pássaros em busca de terras mais quentes, fugindo do inverno que se aproxima. Depois de alguns minutos, o céu ficou obnubilado. Por momentos, pensou se tratar de algum eclipse não previsto, mas antes de colocar os olhos no cerúleo sentiu algumas bicadas na cabeça. A Via Ápia se tornou Via Crúcis. As aves atacavam com seus bicos enfurecidos, lancinavam a carne no corpo do escritor. Sucediam-se bicos aquilíneos, frutíferos, coletores de néctar, insetívoros, carnívoros, granívoros. Garras, unhas e esporões completavam o martírio, a execução. O corpo logo caiu no chão, o sangue o cobria totalmente. Em seguida a carne, as glândulas, as entranhas ficaram expostas. Foram devoradas. Sobrou a carne menos nobre, alguns músculos. Finalmente, os urubus completaram o trabalho. Ficou só o ossário do contista na estrada desabitada, erma. Depois de alguns dias, um montanhês subindo o íngreme caminho, encontrou a carcaça. Comunicada as autoridades competentes, os ossos foram encaminhados para o laboratório  da polícia cientifica para identificação. Antes de examinar o DNA, o médico-legista preencheu o item de observações:

Obs. Avançado estado de osteoporose.






quarta-feira, 22 de outubro de 2014

As Máquinas Capitalistas, Deus Mercado, Senhor Deus dos desgraçados...



As Máquinas Capitalistas, 

Deus Mercado,

Senhor Deus dos Desgraçados






As máquinas capitalistas começaram a girar as engrenagens no leste do planeta. Amanheceu. Os terríveis tubos ejectam carbono e dióxido de enxofre  - ad infinitum. Homens autômatos, tontos como baratas borrifadas de inseticida, são fantoches do manipulador deus mercado. Drágeas, comprimidos, cápsulas de todas as matizes e todas funções são engolidas com líquidos edulcorados, corantificados, quimificados - sugados de latas de cores flamejantes. O sistema humano precisa girar, o movimento do planeta não é suficiente. Os rios secam nas planícies e os mares ganham volume pelo degelo. O paraíso se tornou inferno. As manchetes das corporações midiáticas sorriem com tanta  desgraça. Sangue, poluição, devastação, secas, mortes & dor são necessários para a alienação. Antibióticos, corticoides e feiticeiros diplomados e outras artificialidades da ciência não conseguem vencer a magia primária. Que sina, o antes símio, agora, homos sapiens, foi obrigado pelo destino percorrer.  Manipulado pelas quatros forças do universo, o bípede inventa teorias para justificar o mito do livre-arbítrio e assim justificar o sangue derramado para defender seus títulos de propriedade.  Um vazio para o universo, uma inflação de ego para a humanidade. A única maneira de lidar  com o homem, com justeza, é com cinismo acído, ou melhor, o cinismo do cinismo: - A zombaria...



Em cada homem a religião ocidental colocou uma cruz, em cada comportamento animal-humano a ciência inventa uma psicologia, a cada dúvida a vanguarda cientifica coloca o infinito. Como é terrível ver os homens no fundo do abismo de suas engenharias politicas-sociais-econômicas. Ver a babel codificada dando esperança que o pré-determinado possa ser transformado. Os sistemas tendem para a autodestruição, a humanidade é um sistema, um jogo de dados do que chamamos universo. O acaso pré-determinado é a causa que atormenta o sonho de liberdade, mas os grilhões são perpétuos na finidade humana. 



Como é atual Castro Alves, mas estendido a todos os homens: 







Senhor Deus dos desgraçados



Dizei-me vós

Senhor Deus


Se é loucura, se é verdade tanto horror...











segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Garota de Long Beach







Garota de Long Beach










Garota de Long Beach...

Sunrise... Sunrise... Sunrise...

Caminhar... Caminhar... Caminhar...



Caminhar nos Desvios de Los Angeles

Com feições orientais na aurora dourada da califórnia;

Descansar nas areias de long beach

Com vomitos de Cerveza del Pacifico...




Estranhos, navios, paraísos, alcool, magia...

Tudo é possível no perpétuo sol de Long Beach...

Garota...

Andar... Andar... Andar...

Nas longas areias brilhantes da ensolarada califórnia...




A eternidade solar nos pertence ...

No amanhecer de Longe Beach...

Você é uma garota maluca de um sonho dentro de outro

Ao infinito...





domingo, 19 de outubro de 2014

A Partícula do Inferno ou o Vazio das Palavras


A Partícula do Inferno
ou 
 Vazio das Palavras



Existem corpos que são ungidos pela assepsia moral e higiênica. Os pés são límpidos, lavados pelas mãos purificadoras de um santo cristo. Em outros, o corpo apodrece, as drogas e o álcool corrompem as entranhas, os pés caminham sem destino na loucura - Que transborda. Nada acalma minha verborreia. Nem a abstinência, nem o excesso. As palavras são jogadas sem destino, sem etimologia, em busca de uma veneta que possa purificar o destino pré-determinado da humanidade e sua sina de espinhos religiosos, científicos ou de sua própria natureza, ou seja, existência, dor & morte... O sangue, simbolo da vida, da extinção, da teologia, transporta em minhas artérias e veias a peçonha que alimenta meu inferno particular. As falanges aos poucos perdem as batalhas entre o tato e as teclas. O vinho doce e vagabundo escorrega pela garganta do soldado raso, que age como general. O meu exercito bate em retirada, mas o figado resiste bravamente a todas toxinas e demônios que o capitalismo e o deus mercado possam inventar com sua livre concorrência... Rimbaud se calou depois que percebeu que as palavras que movem o mundo não são as que preenchem os papeis, mas sim as  dos aventureiros que amputam uma perna em busca da ação - Em que os verbos edulcorados são inúteis. O verdadeiro logo está em cada pétala, em cada semente, em cada cadáver em putrefação, em cada vírus e bactérias que devoram as moléculas humanas. Poetas, escritores do nada, convido a impregnarem nos seus corpos  álcool, drogas e toda escatologia inefável do léxico do Hades. Provem os miolos de lúcifer, crucifixem sua própria mãe, cure suas feridas com a língua de mamífero. Lamba a morte  do seu pai, causado pelo revolver do amante de sua progenitora. Semeie seu jardim com as flores do mal de Baudelaire, beije as pútridas sepulturas dos poetas malditos, se torne um faquir e deite numa cama acúlea. Descubra o sentido da vida enterrando seu corpo vivo no pântano mais tenebroso do pior pesadelo. Descubra que a racionalidade é um fantoche do irracional e a loucura é a única liberdade permitida ao bípede implume. Prove os vermes que os urubus recusam. Saboreie as carcaças que as hienas rejeitaram. Seja você mesmo, ou melhor, não seja nada, apenas o vazio das palavras dos filósofos ou a fraude teórica que habita o córtex dos cientistas. Quiçá, você consiga chegar a coisa-em-si, que Kant recusou, quem sabe ache o ser, o substrato, a partícula das partículas, materialize o bóson de higgs. Viaje pelos tubos da teoria das cordas, sentado num fóton... Quanto a mim vou ficar sentado enfrentando as bebedeiras, as toxicidades plásticas, os vômitos do consumo, a náusea do existencialismo de Sartre...  





segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Uma Breve História da Existência de Jim Cristóvão



Uma Breve História da Existência 

de Jim Cristóvão





Na sua memoria ainda se encontra as gélidas barrigas de ratazanas passeando por cima de seu corpo absorto de narcóticos e álcool. Relembrando a partir da perspectiva do seu eu atual, corre um arrepio elétrico por toda parte sensível do seu ser.  Na época Jim Cristóvão era considerado um junk, um lixo social. Habitava um casarão abandonado de paredes em estado de emergência. Suas companhias limitavam-se a ratos e outros seres que viviam do descartável, do não-prestável. O dia servia para conseguir alguma moeda, por meio de pequenos golpes ou por altruísmo de algum cidadão, para financiar o frenético consumo de entorpecentes. Na pele de Jim estava escrita a historia de outside the law. Facadas, agulhadas e cicatrizes de infecções de picos compartilhados eram as tatuagens reais do passado. Quantas vezes foi acordado com o bico de coturnos da policia militar. Quantas vezes foi ameaçado de morte pelas milícias que protegiam a frente dos prédios comerciais. O fim de sua existência era uma questão de entrar na estatística, mas a teimosia do destino o tirava da média e dos desvios padrões. Podemos dizer que J. Cristóvão era o ponto fora da curva.





A mesinha de mogno que suportava o último modelo do Apple virou seu meio de garantir - financeiramente - sua existência. Jim agora era um jornalista freelance. Detestava a forma hipócrita de escrever sobre política e todo o direcionamento pró poder econômico que as grandes mídias veladamente preenchiam seus espaços no papel, nas telas e outros veículos. Precisava sobreviver, nem que para isso - tivesse que engolir sapos. Sabia que seu texto sempre era editado na redação da grande mídia, mas o implicitamente concordar, permitia suas viagens tóxicas-filosóficas. No fundo sabia que seu status atual era temporário. Todo seu esforço para sair do sub-mundo, todas concessões ao status quo - com o tempo seriam inúteis.  Conhecia os escaninhos da existência. Era um behaviorista convicto. Seu corpo fora moldado desde pré-adolescência com álcool & drogas, era uma questão de tempo para ver novamente sua nau naufragar no oceano da loucura, do underground da violência. 





Seus dedos começaram a sofrer as dores da abstinência da artilharia pesada da heroína. Depois veio as convulsões e os textos viraram páginas em branco. Os pagamentos cessaram e seu corpo ganhou a solidão das ruas. Começou a rasgar a noite nas zonas boemias da cidade - atrás de oportunidades álcool-tóxicas. As vezes, um parente ou conhecido ajudavam a manter o seu nível de loucura com alguma contribuição monetária. O tempo e modo de viver conspiravam contra Jim Cristóvão. Sua entrada nas estáticas de mortes violentas entrou no desvio padrão, estava muito perto da média ponderada. Foi numa noite fria de Porto Alegre, numa avenida onde corria um líquido sujo e gorduroso junto a sarjeta que Jim C. tombou. Levou sete tiros espalhados pelo seu corpo macilento. Certamente um acerto de dívidas com traficantes. Seu cadáver ainda esperou por um mês na câmara fria do Instituto de Pericia Legal. Como nem um parente ou amigo reclamou o corpo, Jim Cristóvão foi enterrado numa cova rasa no cemitério de indigentes do poder municipal, com apenas uma cruz feita de madeira retirada de uma  caixa de maçãs argentinas...






HALLOWEEN - O Ermitão Mutante



HALLOWEEN

O Ermitão Mutante



O Asceta caminhava na estrada de chão batido, margeando a floresta atlântica. Como de costume, diariamente, a percorria juntando gravetos e lenhas. Colhia ervas medicinais e psicoativas, frutos silvestres, que compunham parte de sua alimentação frugal. Quando estava em casa, uma cabana simples, construída com pedras do campo, madeira silvícola e algum material descartado pelos habitantes da área urbana, preparava sua alimentação e medicamentos naturais. A noite macerava e fervia as ervas alucinógenas, ouvindo o piar das corujas e de outros pássaros noctívagos. Numa noite de breu total, devido a lua nova, o ermitão sentiu um estranho êxtase em seu corpo esturricado, consequência de uma dieta de candidato a santo vegetariano e filosofo mistico, que procurava transcender a limitação da condição humana. Uma gélida sensação percorreu sua espinha. Seus olhos esbugalhados e sanguíneos expressavam a condição singular do solitário possuído. Talvez, endemoniado. O crepitar do fogo na lenha se avivou de tal maneira, que a chama atingiu a barba sebosa do asceta. O corpo corcunda, como um quasímodo, num passe mágica - se tornou ereto. Os lábios secos e selados durante anos, pela não vibração de suas cordas vocálicas, resultado dos raciocínios sem fim, beirando ao infinito, emitiram gritos originados do lado obscuro da existência, do sobrenatural. Erguido com uma postura reta e a barba em chamas, jogou o corpo contra a frágil porta do barraco. Correu pelo campo, esfregou o rosto na grama, conseguiu apagar as chamas, que destruíram seu monumento grisalho em homenagem a solidão. Continuou correndo, não parou mais. Saiu do campo e atravessou floresta gélida,  que na escuridão plena dava ares sinistros. Sua terrível transformação chegou a pequena cidade. As lâmpadas de mercúrio, penduradas nos postes de eucaliptos, quebravam a escuridão. O penitente, transformado num hábil homo apetite's, tinha a nova configuração revelada por bombardeios de fótons.


Em frente a uma mistura de bolicho e mini-mercado, sentiu suas papilas degustativas traçarem seu próximo passo. Quebrou os vidros da vitrina rústica e penetrou dentro da venda. Totalmente transtornado o vegan-asceta soltava grunhidos primitivos. Derrubou um jirau de linguiças e morcilhas rubescentes, que odorizavam sanguineamente. Seus dentes acostumados com seiva e clorofila, mordiam, estraçalhavam a carne e o sangue. Devorou grande parte dos embutidos - com animalesca voracidade. Depois a atenção se voltou para o balcão frigorífico com carnes de vacunas. Prostrado, de quatro, estraçalhou o produto animal. O vermelho carnil líquido escorria pelos lábios selvagens. O terrível espetáculo carnívoro se dava em meio ao sono inocente do povoado de imigrantes, que na sua profunda sonolência de gente simples, que recuperava as energias para a labuta na roça do amanhã. Depois do canibalismo paralelo, se ergueu bípede, erecto. As roupas puídas foram ragadas com fúria. A configuração  sinistra se precipitou pelas pacatas ruas. Com as genitálias balançando, no ar tépido do verão, que se anunciava, ambulava pela avenida principal. Como um sátiro, suspirando lascívias e captando feromônios de virgens, parou silente diante um sobrado de pedra e madeira, jardim florido de amores-perfeitos, dálias e rosas. Um novo êxtase perpassou o corpo libidinoso. Uma eletricidade sexual incontrolável foi despertada, causada por hormônios que emanavam do interior da casa. Jogou toda a energia carnal na janela bucólica. Olhou para cama onde uma jovem de pele láctea e olhos negros repousava sua castidade. Possuído por deuses pagãos, jogou seu corpo por cima da jovem. A família se acordou com os gritos juvenis desesperados, que ecoavam por dentro da casa - com um teor de terror. Os pais e os irmão juntando todas as forças não conseguiram retirar o priapo de cima do ente imberbe. O pai buscou uma faca na cozinha. Cravou no dorso do asceta mutante. Um grito de javali selvagem reverberou pela garganta. O eremita pulou a janela e correu com a faca rebrilhando nas costas. Antes de adentrar a floresta foi atingindo por uma bala. Embrenhado na escuridão, o mutante retira a lamina do dorso. A sobrenaturalidade desaparece. Não restou nem cicatrizes nos ferimentos...





O sol já lançava seus raios purificadores nos resquícios de trevas da mata densa. O solitário-Asceta, em seus estado natural, descerrou seus olhos de um pesadelo. Aturdido, levantou do chão enfolhado da selva. Sua memoria da noite anterior tinha sido afetada por amnesia. O sabor forte de carne e sangue subia do estomago. Foi matutando em direção a sua choupa, tentando desvendar a impressão carnívora. O sabor que portava era a antípoda de sua filosofia, de seu modo de vida. Seu raciocínio arrazoava uma explicação lógica. Certamente, havia ingerido alguma erva psicoativa poderosa, fora de sua dieta. Nos dias seguintes a vida do mutante foi se enquadrando no seu ramerrão filosófico-vegan. O sabor carnil foi evacuando de suas entranhas, sendo purificado por ervas e raízes. O Halloween lascivo ficou no passado esquecido, na memoria do sobrenatural...




sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Niilismo Superlativo ou Mosaico do Nada...






Non Plus Ultra...  




Sou escravo das palavras, mas não dos sentidos. O mundo carece de coerência. Os conceitos são realidades inconcretas esperando circunstâncias para se revelarem "fatos". Os léxicos são sementes que brotarão na futura atualização do campo da existência. Os grilhões são perpétuos  na frágil caminhada do homem. As palavras permitem um voo por cima do purgatório de Dante. O sofrimento do cotidiano e suas hierarquias já são suficientes para a humanidade sofrer. O sonho é a única felicidade ao alcance, enquanto sonho. Caminhei por muitos descaminhos e não vi nada diferente das "retas" estradas dos moralistas, senão suas palavras vazias e repressoras. Sartre disse que o homem é uma doença, eu digo: - Uma doença em estado terminal  - Sempre tentei ultrapassar os limites impostos; na realidade, a morte é o único ultrapassar da existência. O budismo diz que nascemos sós e morreremos sós. A filosofia nunca chegou ao ser-em-si. O ser primordial é a extinção do que chamamos de homem, animal mais consciência. Kant talvez tenha chegado ao ser-em-si, mas quando percebeu do que se tratava, logo tergiversou e escreveu: "A coisa em si (noúmenon) nos escapa, não pode ser conhecida, somente pensada". O filosofo de Königsberg afirmou que podíamos somente conhecer os fenômenos, chegar a superfície do ser, mas penso que nem isto é acessível ao humano. A eletricidade e química que percorre o cérebro são os responsáveis por toda esta ilusão. A teoria da relatividade, a física quântica e a teoria das cordas não existem fora dos limites do córtex. Todo pensamento é um engano, uma estratégia de sobrevivência que combina ações da matéria de acordo com o sistema da mente, onde fragilmente geramos o perceber a si, o individuo, mas que para o universo infinito é apenas um arroubo insignificante, um nada se manifestando num niilismo. O homem está condenado a sua ignorância iluminista, seus paradoxos crus, sua auto-ajuda de se dignificar,  dar sentido ao vazio que permanecerá vazio. Não há saída, estamos numa sinuca de bico, somos um vazio que preenche seu sentido com outro vazio denominado deus. Quantos copos de absinto precisarei esvaziar para criar coragem e navegar pelos oceanos numa frágil embarcação. Pã morreu, mas seu vinho entusiástico ainda corre nas veias dos crente, dos cientistas, dos ateu que acreditam ser uma forma especial da natureza ou até mesmo um ser especial separado da matéria; quanta ilusão meus senhores, quanto vazio preenchido com o nada. Nietzsche já havia percebido que não existem fatos somente interpretações, mas o etimólogo alemão não pode ser radical o suficiente, não teve estofo para dizer que os fatos não existem, somente  interpretações do vazio. Nietzsche nunca deixou de ser uma criança mimada, acabou seus últimos anos nos braços da mãe, pois não tinha coragem suficiente para romper com a ilusão da vontade de potência, pois este era seu último fantasma de seu castelo de areia. Nietzsche tinha medo do nada, por isso lançou todas suas farpas contra as ideias de Platão, contra o Cristianismo e o budismo, pois representavam o nada, a morte. Apolo venceu Dionísio, o racional de Sócrates sobrepujou o rio de Heráclito. A tragédia estava presa na mente, encarcerada pelos pensamentos que dançavam no vazio, no vácuo de sentido. O nada coerente havia vencido o nada do kaos, a Nietzsche só restou se refugiar na sua própria loucura, no arrimo da sua mãe e irmã. No devaneio irracional e Cataléptico Nietzsche se escondeu do nada, da tendência de sua filosofia bater na porta do nadismo, do pessimismo no vácuo...

Non Plus Ultra...  





quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Dialogos Com Stab's Quanticus - Panta Rei...


Dialogos Com Stab's Quanticus



A última vez que encontrei Stab's Quanticus, ele disse:

- Sinto que o fim está próximo, já saboreio os estertores da existência individual e o início da integração ao universo de energia e matéria sem consciência.


Um Spinoziano convicto. A natureza é deus, não existe transcendência. Tudo que vivenciava estava conforme as leis naturais. Os porres alcoólicos que debilitavam a saúde eram um exemplo da filosofia que portava nos depósitos de sua configuração neuronal. Ele ia além de Nietzsche, ultrapassava o  Übermensch, completava  aforismo do filosofo do eterno retorno:



"O que não me mata me fortalece ..."


S. Q. diz:

"O que me matará me integrará a imortalidade inexpugnável da matéria."


Como sempre nossos encontros começavam ao acaso. A rua era os bastidores, mas, invariavelmente, o palco era uma mesa de bar. Consumíamos variedades etílicas e destilávamos filosofia, física quântica e quetais.  Stab's Quanticus portava acidez e pessimismo, porém, na sua visão de mundo, havia espaço para um otimismo moderado, mas só depois de ter exarcebado todas as formas de pessimismo. Dizia, não existe inicio e nem fim. As filosofias, as ciências por mais que mascarem sua superfície com infinitos e indeterminados,  possuem na sua profundidade, no  seu esqueleto a impregnação  do mito. O Big-Bang já foi aceito pela igreja católica. Teólogos admitem que o gênesis é compatível com a teoria do Big-Bang. A física quântica para disfarçar suas aparentes contradições foi buscar na filosofia oriental um arrimo. Os iniciadores da quântica preferiram a circularidade do Yin e Yang para acalmar suas teorias sem equilíbrio, paradoxais, enquanto a roleta do cassino universal não para de rolar seus dados, num jogo sem mérito, sem culpa, sem inocência, apenas o jogo infinito do indeterminado que desconcertou Einstein  e seu deus que não vai a Las Vegas se divertir...


Nossos devaneios só eram interrompidos quando nossas pernas começavam a fraquejar. Despedíamos dizendo: "Até o acaso. Até que as circunstâncias de Ortega y Gasset nos conduzam a um novo encontro filosófico-quântico-etílico". Desta vez senti que seria a última, seu corpo frágil não suportaria mais os excessos, a desconexão com a realidade de mercado. O único consumo era o álcool e drogas ao extremo. Queria a libertação do mundo dos homens. Sua visão não aceitava mais esse  universo de formiguinhas que seguiam regras, que acatavam hierarquias e mentiras sociais. Stab's Quanticus estava perto da transmutação, logo, iria deixar o bípede implume de Platão se desmanchar. Os elementos iriam integralmente para o fluxo de Heráclito, entrariam no rio e nunca mais retornariam nesta configuração, neste espaço-tempo. Antes de dizer adeus, ouvi pela última vez suas palavras:

- Quando chegar a hora, e isto é brevíssimo, vou escrever o último conto no blog. O título será Panta Rei. Assim todos que compartilham a minha estadia neste planeta saberão que deixei a configuração humana, esta é a senha do meu desaparecimento. Todos os dias eu acessava o blog de Stab's Quanticus. Foi na segunda semana, depois de nosso encontro, que li o título fatal. Panta Rei, sim, estava escrito. Decidi não ler o conto-suicida. Apenas vou abrir algumas cervejas, escrever alguma coisa, esquecer a miséria humana e tentar transcender em algum sonho bêbado que me leve para um mundo além das ideias, além do concreto e ver martelar na minha mente infinitas vezes: Panta Rei...






segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Maxikoan - A Espera do Eclipse Total....






A ESPERA DO ECLIPSE TOTAL








Sob a chancela de quatro paredes, aprisionando verbos, adjetivos, sujeitos, vou morrendo por osmose na inércia dos objetos. Respiro, umedeço o espirito com figuras imaginárias. Os livros se tornam animados, as figuras viram substâncias, visões consubstanciadas  em palavras. Estou condenado, usei artifícios infernais, provei a maldade nietzschiana. Inalei o enxofre vaporoso das entranhas do érebo e fiz previsões catastróficas, ultrapassei Nostradamus. Bebi a água pútrida do rio aqueronte. Traí e fui traído, neguei todos os deuses, dormi com o corpo sujo de lascívia encima das escrituras sagradas. Como força admiti a fraqueza, no delírio caótico ofereci a carne ensanguentada ao espirito obscuro. Estou contaminado pelos micróbios, bactérias, miasmas, vírus, vícios e virtudes invertidas. Não tenho mais vontade de potência, imolei o corpo, sou guiado por febres, alucinações, loucuras incrustadas de naturezas ocultas que atuam nas entrelinhas do sobrenatural na sombra da razão. Não vejo mais auroras nem crepúsculos, engulo fantasmas, expilo ectoplasmas amalgamados de vida e morte.   Inspiro o ar drogado da moral escrita no remoto altar dos sacrificadores, exorcizo os sacerdotes dos demônios freudianos, vou além do além. Procuro tribos selvagens, canibais, culturas incipientes que adorem cabeças embalsamadas. Derramo a seiva no oceano da imaginação, uma hemofilia sem fim. O suicídio das ideias, a serpente peçonhenta como amiga. Ergo aços ingentes, diluo o concreto com o suco gástrico das valas do Hades, de tudo provo. Evoco mefistófeles, seduzo Perséfone do mundo inferior, sequestro a musa de Dante do sumo éter, espero na  estação do prazer  o trem do paraíso. Não tenho ícones, Windows, planilhas eletrônicas, mas surrupio as taças com ambrosia de Hebe. No target, estou fora do alvo, quase não existo, tomo o licor venenoso extraído das mandíbulas de najás. Os relógios de urânio congelaram o tempo, estão curvados no espaço-tempo, mas a carne se corrompem no tempo psicológico, no fluxo da inconsciência. Busco a matéria imaculada, sem nodoas, mas os deuses estão mortos. Herdei o chafurdar dos javalis selvagens na lama e esgoto que formam o emplastro lenitivo das feridas eternas abertas no coração da humanidade...